Opinião: Tocantins se prepara para embate entre forças históricas: ALETO x Prefeituras em 2026
Por José Júnior – Com cinco dos últimos sete governadores oriundos da Assembleia Legislativa, o Tocantins entra em 2026 diante de um cenário raro: a máquina legislativa estadual enfrenta, pela primeira vez, uma frente coesa de prefeitos das principais cidades do Estado.
Desde a criação do Tocantins, em 1988, a regra tem sido clara: quem domina a Assembleia, governa. Apenas duas exceções romperam esse padrão — Siqueira Campos, fundador do Estado e líder nacional consolidado, e Moisés Avelino, que chegou ao Palácio Araguaia com base na força municipal e no prestígio como deputado federal.
Todos os demais — Marcelo Miranda, Carlos Gaguim, Sandoval Cardoso, Mauro Carlesse e o atual governador Wanderlei Barbosa — seguiram a mesma trilha: mandatos parlamentares, articulação interna e apoio majoritário da ALETO.
Essa tradição transformou o Legislativo em uma espécie de “fábrica de governadores”, com ramificações que atravessam prefeituras, câmaras municipais e lideranças regionais. É uma máquina que opera com estabilidade, apoio orçamentário e influência territorial.
Do outro lado, as candidaturas oriundas das cidades ainda não conseguiram romper essa lógica. Carlos Amastha, ex-prefeito de Palmas, e Ronaldo Dimas, ex-prefeito de Araguaína, não converteram suas gestões locais em capital eleitoral suficiente para vencer o domínio da ALETO. O mesmo vale para figuras do Congresso Nacional.
Em 2026, o presidente da Assembleia, deputado Amélio Caires, desponta com o apoio de 20 dos 24 deputados estaduais. A estrutura interna da Casa oferece não apenas recursos, mas capilaridade em todo o estado.
A novidade vem do lado da senadora Dorinha Seabra. Com respaldo federal e histórico de atuação em educação, Dorinha construiu, nos bastidores, um fato inédito: a união de prefeitos das sete maiores cidades do Estado — Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Paraíso, Guaraí e Colinas.
Essa aliança municipal representa uma tentativa de virar o jogo. Pela primeira vez, o eleitor urbano, que hoje é maioria, pode ser o fiel da balança. A campanha promete expor o contraste entre a governança das cidades e o modelo político assentado no Legislativo estadual.
O embate vai além da eleição. Coloca em disputa duas formas de exercer poder no Tocantins: a tradição construída no plenário da Assembleia e a força crescente das ruas, da gestão local e do eleitorado urbano.
Até aqui, o placar é claro: ALETO 5 x 2 Fora da ALETO. A pergunta para 2026 não é apenas quem vence, mas se o Tocantins está pronto para mudar a regra que ele mesmo criou.