“Até o tentador sabe citar versículo”: teólogo Tassos Lycurgo critica carta do PT aos evangélicos
O teólogo e apologista cristão Dr. Tassos Lycurgo publicou um vídeo em seu canal no YouTube nesta segunda-feira (15 de junho de 2026) no qual faz uma análise contundente da carta aberta do Partido dos Trabalhadores (PT) ao eleitor evangélico, lançada após o encontro nacional da sigla em Brasília no dia 8 de junho.
No vídeo intitulado “O LULA ESCREVEU UMA CARTA AOS CRISTÃOS e SABE O QUE DIZ NELA? INACREDITÁVEL!” , Lycurgo usa uma passagem bíblica como chave de interpretação: a tentação de Jesus no deserto, quando Satanás citou o Salmo 91 para tentar enganar o Messias.
“O inimigo da verdade nem sempre nega a Bíblia, às vezes ele a cita, mas sempre torcida, fora de contexto, a serviço dos próprios interesses”, afirma o teólogo.
A carta e seus versículos
No dia 8 de junho, o núcleo evangélico do PT se reuniu em Brasília em um evento chamado “Mispat” (palavra hebraica que significa justiça). De lá, saiu uma carta aberta ao eleitor evangélico recheada de citações bíblicas: Isaías, Tiago, Mateus, Efésios, Pedro e outros.
A carta usa o profeta Isaías para justificar programas de transferência de renda e recorre a Mateus, Tiago e Efésios para defender pautas como o fim da escala 6×1, argumentando que o descanso do trabalhador faz parte da “melhor tradição evangélica”.
A contradição performática
Lycurgo aponta o que chama de contradição performática: a mesma carta que diz “rejeitamos toda tentativa de transformar religião em instrumento de manipulação política e denunciamos aqueles que usam do evangelho como negócio” está, segundo ele, fazendo exatamente isso.
“A carta condena a manipulação política da religião, mas faz isso manipulando politicamente a religião. Ela acusa os outros de transformar o evangelho em ferramenta enquanto transforma o evangelho em ferramenta de campanha”, critica o apologista.
O silêncio que revela
Para Lycurgo, o mais revelador na carta não é o que ela diz, mas aquilo em que ela se cala. Ele observa que o documento passa em silêncio absoluto sobre pautas que historicamente separam o eleitor evangélico da esquerda:
- Aborto – nenhuma menção
- Ideologia de gênero – nenhuma menção
- Família – nenhuma menção
“Por que esse silêncio? Porque é nessas pautas que o desfazimento cairia. Seria nesse momento que a fantasia seria rasgada”, afirma o teólogo.
Lycurgo argumenta que o evangélico nunca se afastou da esquerda por causa de programas sociais, mas sim por causa da pauta moral.
“Esconde-se a pauta moral e oferece-se versículo sobre comida”, resume.
Sepulcros caiados
O teólogo faz uma analogia direta com a linguagem bíblica: “Jesus chamou de sepulcros caiados: bonitos por fora, vazios por dentro” (Mateus 23.27). Ele também cita 2 Timóteo 3.5, onde Paulo alerta sobre os que têm “aparência de piedade, negando, porém, a eficácia dela”.
“Versículo na boca, facilmente falando, mas negando na prática aquilo que a piedade exige. É o retrato exato de uma fé usada como fantasia de campanha”, afirma.
“Usar o nome de Deus em vão”
Lycurgo também lembra que o terceiro mandamento (Êxodo 20.7) proíbe tomar o nome do Senhor em vão — e isso inclui usar o nome de Deus para fins escusos.
“Usar o nome de Deus quando se defende aborto, quando se defende movimentos políticos perversos como o LGBTismo, isso fere o terceiro mandamento”, declara.
Por que a estratégia existe?
O teólogo explica que a estratégia existe porque funciona. O segmento evangélico se tornou o “grande prêmio” da política brasileira, um dos eleitorados mais decisivos do país e historicamente o mais resistente à esquerda.
“O cálculo é frio: se não dá para vencer o evangélico no voto, traduz a mensagem para a língua dele. Coloca versículo, usa palavra hebraica no nome do evento, fala em fé e justiça, e aposta que uma parte do rebanho vai confundir o vocabulário religioso com convicção religiosa.”
O perigo do cristão “analfabeto bíblico”
Lycurgo alerta que o cristão que não conhece bem as Escrituras é “presa fácil”. Ele cita o exemplo dos bereanos (Atos 17.11), que examinavam as Escrituras diariamente para conferir até mesmo o que o apóstolo Paulo dizia.
“O antídoto contra a manipulação nunca foi menos Bíblia, é mais Bíblia e Bíblia bem entendida. O cristão que conhece as Escrituras de verdade não cai no truque do versículo solto, porque ele sabe ler o contexto.”
O teste definitivo: pelos frutos
Lycurgo propõe um teste simples, dado pelo próprio Jesus em Mateus 7.16: “Pelos frutos os conhecereis”.
“Jesus não disse ‘pelas suas palavras’, nem ‘pelos seus versículos’, nem mesmo ‘pelos seus discursos’. Pelos frutos, pela prática, pelo histórico, pelo que a pessoa de fato faz quando está no poder.”
O teólogo aplica o teste a qualquer político, de qualquer partido: “O cristão maduro não pergunta ‘essa carta tem versículo?’. Ele pergunta: ‘Qual foi o fruto? O que eles fizeram — e não apenas o que escreveram em ano de eleição?'”
Conclusão: quando alguém nunca andou com você
Lycurgo conclui com um alerta direto:
“Quando alguém que nunca andou com você de repente abre a sua Bíblia e cita o seu Deus, ligue o alerta. Alguém cujo histórico não tem nada a ver com as pautas morais defendidas pelo evangelho.”
Ele lembra que “até o tentador sabe citar versículo” e que a defesa não é fechar a Bíblia, mas abri-la mais e conhecê-la tão bem que nenhum lobo consiga enganar vestido de pele de ovelha.
“A defesa nunca é fechar a Bíblia, é abri-la mais e conhecê-la tão bem que nenhum lobo consiga te enganar vestindo pele de ovelha e segurando um versículo na mão”, finaliza.
Assista: