Zequinha Marinho critica Acadêmicos de Niterói e acusa “intolerância” em ala que banaliza evangélicos

BRASÍLIA — O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) criticou nas redes sociais um desfile que, segundo ele, “ridiculariza a fé cristã” com “dinheiro público envolvido”. A manifestação ocorre após repercussão do desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou para a avenida uma ala em tom de sátira a grupos conservadores, incluindo evangélicos.

A escola apresentou a ala “Neoconservadores em conserva”, com fantasias em formato de latas. A metáfora, de acordo com a descrição divulgada pela agremiação, colocou “dentro” dessas latas personagens associados à defesa da família tradicional e a posições políticas conservadoras. Entre eles, um fazendeiro, uma mulher da elite econômica, defensores do regime militar e representantes do público evangélico.

A encenação gerou reações nas redes. Críticos acusaram a escola de banalizar um segmento religioso. Defensores do desfile argumentaram que a sátira faz parte da linguagem do Carnaval e que enredos costumam caricaturar grupos e símbolos do debate público.

Sem citar diretamente a Acadêmicos de Niterói, Marinho publicou uma arte com imagem de alegorias ao fundo e disse que “ridicularizar a fé cristã em plena avenida, com dinheiro público envolvido, ultrapassa qualquer limite”. Afirmou ainda que “o Estado é laico, não é anticristão” e que “atacar igreja, zombar de evangélicos ou de qualquer religião não é arte”. Para o senador, trata-se de “intolerância travestida de espetáculo”.

A crítica do parlamentar mira dois pontos: o conteúdo levado à avenida e o eventual uso de recursos públicos. A postagem, porém, não informa qual apresentação motivou o repúdio nem detalha a origem do financiamento citado. Também não menciona escola, bloco, cidade ou edital.

O caso reabre uma disputa recorrente. Para aliados do senador, quando há dinheiro público, o Estado deve ser ainda mais cuidadoso para não bancar mensagens interpretadas como hostis a religiões. Para quem defende a autonomia artística, limitar temas por pressão religiosa ou política pode virar filtro moral e, na prática, censura.

A polêmica também expõe um ruído típico do Carnaval: a distância entre intenção artística e leitura do público. Uma sátira pensada para criticar comportamentos ou projetos políticos pode ser recebida como ataque direto a fiéis, sobretudo quando o alvo aparece identificado como “evangélico” ou “cristão” na cena.

No fundo, a disputa passa menos pelo direito de criticar — que a Constituição protege — e mais por quem paga a conta e como o poder público escolhe onde colocar recursos. É esse ponto que o senador tenta puxar para o centro: se há verba estatal, diz ele, a liberdade de criação não deve virar salvo-conduto para hostilidade religiosa. Do lado oposto, produtores culturais veem o risco de transformar o patrocínio público em mecanismo de controle de conteúdo.