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Opinião

Lição 11: Lucas – Atos: O Modelo Pentecostal para Hoje – O que é ser pentecostal?

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A paz do Senhor Jesus. Na lição de número 11 estudaremos o tema Lucas – Atos: O Modelo Pentecostal para Hoje. Continuamos estudando a Supremacia das Escrituras e nesta aula em específico trataremos de maneira rápida, mas não sem profundidade, da doutrina pentecostal.

Aprenderemos que A atividade do Espírito Santo e suas implicações na vida cristã são o padrão bíblico adotado pelo crente pentecostal.

Para o vídeo de subsídio de hoje trago um excelente artigo que foi tema de uma das plenárias da 47ª EBO da AD em Cuiabá. O autor é o evangelista Jonas Mendes e os links referentes ao artigo e ao grande evento que tratou da “Igreja Pentecostal no Século XXI” estão na descrição deste vídeo, recomendo você acessar e ler, pois é de grande valia para nós pentecostais.

Antes de iniciar peço também que não esqueça de se inscrever no canal e deixar sua curtida, pois é muito importante para nosso trabalho.

Vamos então ao assunto desta abençoada lição.

No artigo “O Espírito Santo em Lucas-Atos”, o autor destaca que uma das características marcantes na obra de Lucas é a presença do Espírito Santo. Tanto o Evangelho quanto os Atos dos Apóstolos estão repletos de notícias sobre sua ação. Vejamos onde e em que circunstâncias o Espírito Santo age no Evangelho de Lucas.

Os primeiros capítulos apresentam de modo marcante a ação do Espírito Santo:

1,15: Sua presença com João Batista é prometida a Zacarias;

1,35: O anjo Gabriel anuncia a Maria o nascimento de Jesus que somente será possível através do Espírito Santo;

1,41: Isabel cheia do Espírito Santo saúda Maria;

1,67: Zacarias profetiza através do Espírito Santo;

2,25-27: Simeão vai ao Templo movido pelo Espírito Santo;

3,16: João anuncia o Batismo no Espírito Santo através de Jesus;

3,22: O Espírito Santo em forma corpórea desce sobre Jesus no Batismo;

4,1: Jesus cheio do Espírito Santo é levado para o deserto;

4,14: Jesus é levado para a Galileia pelo Espírito Santo;

4,18: Na Sinagoga, Jesus anuncia a sua missão pela força do Espírito Santo;

23,46: Jesus entrega seu Espírito a Deus antes de morrer;

24,49: Promessa de Jesus sobre a presença do Espírito Santo junto aos discípulos.

Como podemos observar, no início do Evangelho, a presença do Espírito Santo é intensa. A partir do anúncio da missão de Jesus em Nazaré, Lucas não fala mais sobre a presença do Espírito Santo; somente no final e, mesmo assim, como promessa aos discípulos.

Se olharmos para o livro dos Atos, vemos que novamente aparece a ação do Espírito Santo. O que será que Lucas quer mostrar com isto? Lucas quer ajudar-nos a crescer em uma dupla consciência: perceber o Espírito perpassando todas as coisas e captar nas partes uma totalidade integradora, justamente por isso Lucas intensifica a presença do Espírito no começo de determinadas seções da sua narração. Nos relatos da infância acumula sete menções do Espírito; e na preparação ao ministério público, refere-se à ação do Espírito cinco vezes. À primeira vista, é estranho que a menção ao Espírito desapareça completamente nas outras seções da narração da viagem de Jesus para Jerusalém (Lc 1319), no ministério de Jesus em Jerusalém (Lc 19,28–21,38), em todo o relato da paixão (Lc 22–23) e na ressurreição (Lc 24). A avassaladora presença do Espírito citada na primeira metade da narração (Lc 1–16) desaparece após Lc 12,12, onde se diz que o Espírito de Deus acompanhará os perseguidos quando estiverem sendo interrogados pelas autoridades.

Este mesmo processo se verifica também nos Atos dos Apóstolos. Na primeira parte de Atos (At 1,1–15,35) o Espírito é mencionado 19 vezes, enquanto na segunda parte de Atos (At 15,36–28,31) aparecem somente 11 referências. Na segunda parte de Lucas e Atos a referência ao Espírito vai escasseando-se, provavelmente para sinalizar uma característica importante da teologia lucana: o divino em Lucas tende a encarnar-se, como sal na comida, e vai aos poucos “desaparecendo”. É como um andaime: anda-se nele enquanto se constrói, mas, terminada a construção, caminha-se pela própria construção. Imbuídos pelo Espírito, os personagens bíblicos o revelam pela sua ação, dispensando referências explícitas. As características fundamentais do Espírito em Lucas-Atos denotam a presença ativa, criadora e profética de Deus no coração da Criação, em geral e especificamente, no âmbito da comunidade. O Espírito manifesta toda sua atividade, como presença capacitadora e santificadora que vem de Deus, desde a concepção de Jesus em Maria.

É interessante notar que a ação do Espírito Santo no início do Evangelho se dá sempre junto aos pobres e excluídos da época (estéril, velhos, mulheres): Isabel, Zacarias, Simeão, Ana, Maria, João e o próprio Jesus. Esta presença do Espírito junto aos pobres, somente é compreendida a partir dos pobres de Javé, isto é, os pobres com quem Javé conta para realizar o seu projeto de amor. Esta característica encontramos também com Jesus. Aliás, é primeiramente aos pobres que ele vem evangelizar. Também são dirigidas aos pobres, considerados bem-aventurados, a promessa do Reino de Deus. No Evangelho de Lucas portanto, a presença do Espírito Santo se dá como preparação da chegada de Jesus. Muitos anunciam, profetizam, louvam sempre inspirados por sua força e presença. Da mesma forma, no livro dos Atos é o Espírito Santo novamente quem vai animar os discípulos e comunidade a levar adiante a Boa Nova de Jesus. O Espírito anima a missão. Com Jesus a missão acontece. A Boa Nova se torna realidade: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para anunciar aos aprisionados a libertação, aos cegos a recuperação da vista, para pôr em liberdade os oprimidos, e para anunciar um ano de graça do Senhor” (LC 4,18-19). Esta dimensão missionária, voltada para os pobres, cativos, marginalizados é uma das características do Evangelho em Lucas, algo que percebemos também nas igrejas pentecostais; igrejas que possuem destaque entre as comunidades carentes.

DESTAQUES IMPORTANTES DA TEOLOGIA DE LUCAS-ATOS

Os estudos de Lucas-Atos trouxeram uma contribuição gigantesca para o Movimento Pentecostal e este fez com que muitas igrejas tradicionais voltassem os olhos novamente para Lucas-Atos. Todo Pentecostal deveria conhecer bem essa obra. Não é verdadeiro o entendimento de que Lucas-Atos tem pouco a dizer para a experiência contemporânea. Segundo Stronstad, o “gênero adotado em Lucas-Atos é o da narrativa histórica, mas também uma dimensão didática, ou instrucional, e teológica.” (STRONSTAD, p. 38). Sendo assim, temos muito o que aprender com essa obra, pois ela oferece modelos e princípios que devem nortear a igreja. Além disso, Lucas-Atos tem uma teologia prática e carismática. Nela, aprendemos que necessitamos do poder de Deus para cumprirmos o ide e levar o Evangelho a todo o mundo! É conveniente que Lucas-Atos sejam tratados como uma unidade. A partir de toda atenção que os dois livros bíblicos, Lucas-Atos, dão a Jesus e aos discípulos, pode-se pensar que o principal tema de Lucas é a história de Jesus e da igreja. Todavia, a principal responsabilidade de Lucas é muito mais profunda. Ele retrata que o plano de Deus foi executado em cumprimento à promessa divina. A inauguração desse cumprimento vem por intermédio de Jesus e da igreja, composta de judeus e de gentios. A conclusão desse cumprimento se dará quando Jesus retornar (At 3.18-26). Esses dois livros enfatizam a continuidade da promessa de Deus, e eles apresentam esse progresso de forma pastoral cujo intuito é instruir e confortar.

Lucas escreve para Teófilo a fim de assegurá-lo sobre as coisas que ele aprendeu (Lc 1.4).2 A principal suposição para essa garantia é o reconhecimento de que Deus estava em operação nos eventos recentes, eventos que cumpriam as promessas de Deus (w. 1,2). Todavia, dois aspectos desse proclamado cumprimento seriam problemáticos: um Salvador morto, e uma comunidade de Deus, que incluía gentios, perseguida, quando Israel se agarrava à esperança da promessa. Como a Igreja sofria perseguição, conforme retratado de forma tão vivida em Atos dos Apóstolos, Teófilo, ou alguém como ele, poderia se perguntar se essa perseguição era o julgamento de Deus sobre a Igreja por ser, do ponto de vista racial, muito liberal em relação à salvação dEle. Deus estava realmente em operação na igreja? E Jesus era realmente o centro do plano dEle? Como a promessa tornou-se tão abrangente? E como um Salvador morto poderia ser o cumprimento dessa promessa? Lucas-Atos garantem a Teófilo que a perseguição da Igreja não é um sinal de julgamento. Ao contrário, a perseguição fora predita e é o meio pelo qual a mensagem poderia alcançar mais pessoas no mundo todo. A obra detalha porque Jesus é o centro do plano de Deus, plano esse que não só tinha presciência da morte dEle, mas também, e de forma mais relevante, de sua ressurreição-ascensão3 à direita de Deus, de onde oferece, como Senhor, o benefício da salvação para todo aquele que se entregar a Ele. Paulo, como o apóstolo dos gentios, serve para retratar o trabalho externo dessa abrangente missão da promessa. Ele, como outros da Igreja, não assumiu seu papel por iniciativa própria, mas como resultado direto da obra de Deus. Assim, Deus e sua atividade são o centro de Lucas-Atos dos apóstolos.

PROMESSA E CUMPRIMENTO

No plano de Deus, Lucas anuncia o papel de Cristo como o cumprimento da promessa. Essa perspectiva, conforme já mencionado, não fica evidente apenas nas referências ao cumprimento, mas também nos pontos estruturais mais importantes dos dois livros. Primeiro, o prólogo lucano fala claramente de cumprimento no primeiro versículo. Lucas descreve as atividades de Jesus como eventos que “entre nós se cumpriram”. Segundo, o prólogo de Atos dos Apóstolos fala da conclusão do plano de Deus em termos de tempos e estações, expressões que indicam o estabelecimento de um cronograma (At 1.6,7). Os versículos 4 e 5 repetem a referência à vinda da “promessa do Pai”, ou seja, o Espírito Santo, promessa essa apresentada em Lucas 24.49. Portanto, os dois prólogos discutem o mesmo tema: A “promessa do Pai”, que é a manifestação do Espírito Santo.

Lucas descreve a capacitação do Espírito Santo no ministério de Jesus, e no ministério da Igreja. Esse revestimento de poder na vida do crente não é apresentado como dom para salvação, mas como a unção dos salvos para o testemunho e o serviço cristão. Esse é o padrão bíblico adotado pelo pentecostal submisso ao ensino das Escrituras Sagradas.

JONAS MENDES  – Ministro  do Evangelho, Bacharel  em  Teologia, Pedagogo, Licenciado  em Filosofia,  pós-graduado  em  Teologia  do  Novo Testamento e  Mestre  em  Filosofia  pela UFMT. Professor  de Filosofia  e  Sociologia  na Faculdade  Fasipe  – CPA. Membro  do Conselho  de Educação e Cultura, Cuiabá.

Referências Bibliográficas

MARSHALL, Howard.  Fundamentos da Narrativa Teológica de São Lucas: Lucas, historiador e teólogo. Tradução de Flavio de Andrade Vital: Natal, RN: Carisma, 2019.

SHELTON, James.  Poderoso em palavras e obras: o papel do Espírito Santo em Lucas-Atos. Tradução de Idelmar Campos. – Natal, RN: Carisma, 2018.

STRONSTAD, Roger.  Teologia Lucana sob exame: experiências e modelos paradigmáticos em Lucas-Atos. Tradução de Celso Roberto. – Natal, RN: Carisma, 2018.

_________________.  A teologia carismática de Lucas: Trajetórias do Antigo Testamento a Lucas-Atos. Tradução de Luís Aron de Macedo. – Rio de Janeiro: CPAD, 2018. _________________.  Hermenêutica pentecostal: Espírito, Escritura e teologia. Tradução de Maurício Bezerra. – Natal, RN: Carisma, 2020.

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