Liberdade religiosa em debate: simpósio reúne oito países para discutir desafios do século XXI
O Simpósio de Liberdade Religiosa: Direito, Mídia e Poder Público reuniu representantes de oito países sul-americanos nos dias 7 e 8 de maio no Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP) , campus Engenheiro Coelho. O evento acadêmico e institucional contou com a presença de estudantes, pesquisadores, advogados e líderes da denominação.
Ao todo, participaram 56 advogados de diferentes nacionalidades, incluindo uma delegação de 11 representantes do Chile, que atuam diretamente em instituições e sedes administrativas da Igreja Adventista em oito países da região.
Temas em debate
A programação foi dividida em seis painéis temáticos ao longo dos dois dias. No primeiro dia, os debates abordaram educação, inteligência artificial e política sob a perspectiva da liberdade religiosa. No segundo dia, as discussões se voltaram ao cenário internacional, com a participação do doutor Nelu Burcea, diretor mundial de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da Igreja Adventista.
O evento também incluiu reflexões sobre a relação entre o poder público e o direito à observância do sábado como dia de guarda — um tema central para a denominação.
A defesa da liberdade para todos
O pastor Jorge Rampogna, diretor de Assuntos Públicos e Liberdade Religiosa da Igreja Adventista para oito países sul-americanos, explicou por que a denominação defende a liberdade religiosa até mesmo para aqueles que discordam de suas próprias crenças.
Segundo ele, a liberdade de crer ou não crer é um dom de Deus, baseado na capacidade humana do raciocínio lógico.
“Não é só sobre mim e no que eu acredito como adventista do sétimo dia, é respeitar a liberdade religiosa daquele que pensa diferente de mim também. Quem somos nós para coagir essa liberdade da outra pessoa em acreditar? Liberdade religiosa não é apenas sobre os nossos direitos”, afirmou o organizador do evento.
Rampogna exemplificou com a questão do dia de guarda: a Igreja Adventista não defende apenas o direito de guardar o sábado, mas também defende muçulmanos que guardam a sexta-feira e católicos que podem estar sendo perseguidos em alguma parte do mundo por guardarem o domingo.
“Nesse aspecto, nós acreditamos que todo ser humano tem realmente a liberdade de escolha e liberdade de expressar a sua fé, porque foi Deus quem estabeleceu isso. É por isso que nós defendemos a liberdade religiosa para todas as pessoas”, concluiu.
Desafios contemporâneos no Brasil
No contexto brasileiro, Rampogna apontou desafios concretos, especialmente relacionados à guarda do sábado e à tecnologia.
Ele relatou que universitários que estudam em faculdades públicas enfrentam dificuldades porque seus direitos fundamentais de crença não estão sendo respeitados. Funcionários públicos também enfrentam problemas semelhantes em relação à guarda do sábado — um dos principais desafios recorrentes.
“Precisamos parar para refletir e propor um caminho para que psicólogos cristãos e outros profissionais cristãos não tenham limitações para compartilhar sua fé, independente da sua função”, afirmou.
Sobre a tecnologia, o pastor alertou que, em um mundo regido por algoritmos, esses instrumentos têm vieses. “Esses vieses, muitas vezes, fazem com que, em algum momento, certos conteúdos religiosos sejam afetados por uma censura. Então, nós realmente precisamos trabalhar para que isso não aconteça”, defendeu.
A importância do simpósio para a comunidade
O pastor Lanza, diretor de Comunicação, Liberdade Religiosa e da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) para o oeste paulista, afirmou que eventos como esse confirmam o que já é feito no dia a dia do trabalho da igreja.
“Um simpósio como esse nos ajuda no cumprimento da nossa missão. Nós sabemos que um dia vamos perder toda a nossa liberdade, mas enquanto nós pudermos tê-la e postergar todo o tipo de restrição, garantindo a liberdade para a pregação do Evangelho e para o cristão, nós temos que ter sempre esses simpósios, fóruns e congressos para fomentar esse tema”, declarou.
A coordenadora do curso de Direito do UNASP, doutora Ivelise Fonseca, destacou que a instituição acolheu o projeto por considerar uma oportunidade importante de reunir especialistas e líderes adventistas ligados à área de liberdade religiosa.
“A aproximação entre a administração da Igreja, a academia e a produção científica fortalece o debate sobre um tema reconhecido como direito fundamental garantido pela Constituição Federal”, afirmou.
Já o reitor do UNASP, doutor Martin Kuhn, pontuou:
“A liberdade de expressão é fundamento de muitas constituições de países que respeitam o ser humano, respeitam a crença, respeitam a liberdade de escolha, e nós precisamos seguir protegendo essa liberdade, estudando para que ela se mantenha na sociedade.”
Com informações Notícias Adventistas