Igreja sob pressão: Pastor defende presidente da COMIEADEPA e critica falta de misericórdia interna
Declarações recentes do pastor Océlio Nauar, presidente da Convenção da Assembleia de Deus no Estado do Pará (Comieadepa), geraram forte repercussão dentro e fora da comunidade evangélica. Em um evento interno, Nauar fez comentários considerados inadequados ao se referir, em tom de brincadeira, à preferência por mulheres de determinada cor de pele, o que foi interpretado como ofensivo a mulheres negras e brancas.
Após a divulgação do vídeo nas redes sociais, críticas surgiram tanto entre membros da Assembleia de Deus quanto em setores da sociedade civil. A repercussão forçou uma reação institucional. Em nota oficial, Nauar pediu desculpas e afirmou que não houve intenção de ferir ou discriminar.
“Estamos num tempo em que os paradigmas sociais mudam com rapidez. O que antes era visto como piada, hoje é entendido sob outra ótica, principalmente diante das lutas contra o sexismo e o racismo”, escreveu o pastor Jadhiel Costa, também da Comieadepa, em uma reflexão pastoral divulgada após o episódio.
Costa reconhece que a fala foi infeliz, mas pondera que houve exagero nas reações. Para ele, a disposição de Nauar em reconhecer o erro e pedir perdão deve ser considerada um gesto de humildade e maturidade. “Como Igreja, precisamos estar atentos para não repetir atitudes que ofendam, ainda que de forma não intencional”, afirmou.
O pastor também expressou preocupação com a forma como parte da liderança institucional reagiu ao episódio. “O que mais entristece, entretanto, é perceber que, dentro da própria Instituição, muitas vezes falta esse mesmo espírito de misericórdia. Enquanto o pastor Océlio Nauar é criticado e denunciado, o esperado seria haver acolhimento, oração e intercessão — sobretudo ao líder institucional que, com propriedade, exerce sua função, se desgastando a servir e conduzir a Comieadepa em seus 104 anos de existência”, escreveu. “Infelizmente, não raro surgem aqueles que, ao invés de estender a mão, preferem atirar pedras, repetindo a atitude dos fariseus diante de Jesus.”
A manifestação pública de Jadhiel tem duplo objetivo: defender a reputação de Nauar, que lidera há pouco tempo a convenção com influência sobre centenas de ministérios no Estado, e convocar os membros da instituição a um exame mais profundo sobre os rumos da Igreja diante das pressões da sociedade contemporânea.
Segundo Costa, a crise gerada pelo episódio revela uma tensão mais ampla dentro das igrejas evangélicas: entre a tradição e as novas exigências de conduta pública. “Não negamos que houve dor. Mas a forma como o caso foi explorado, inclusive por líderes que deveriam zelar pela unidade, nos entristece”, afirmou.
A reflexão também faz críticas ao que chamou de “execração pública promovida por setores da mídia e da própria instituição”. Para o pastor, o episódio tem sido usado de forma política, num momento em que se exige mais misericórdia do que julgamento.
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A Comieadepa, fundada em 1921, é uma das maiores convenções regionais da Assembleia de Deus no Brasil. Reúne milhares de pastores e igrejas filiadas em todo o Pará. Océlio Nauar está no comando da presidência há poucos anos, sendo reconhecido por liderar com autonomia e influência.
Jadhiel Costa reforça que, apesar da crise, a Igreja segue sustentada por princípios espirituais. “Se não fosse o Espírito Santo, o verdadeiro protagonista da missão da Igreja, estaríamos mais fragilizados. Mas confiamos na promessa de que as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”
NOTA DO PASTOR Pastor Jadhiel Costa
Reflexão Pastoral sobre os Últimos Acontecimentos
Nos últimos dias, a Assembleia de Deus tem sido sacudida por acontecimentos e notícias que ganharam repercussão pública. Manchando a Convenção e Atingindo seus filiados, mais recentemente, declarações do nosso pastor presidente no Pará, Pr. Océlio Nauar, proferidas em tom de brincadeira, mas que acabaram sendo interpretadas como ofensivas a mulheres de pele branca e também às mulheres negras, ao sugerirem preferência por um grupo em detrimento de outro.
É importante afirmar que, em nenhum momento, acreditamos que o pastor tenha tido a intenção de ferir ou diminuir quem quer que seja. Contudo sabemos que vivemos um tempo em que os paradigmas sociais se transformam com grande rapidez. Palavras que antes eram vistas apenas como gracejos, hoje são analisadas sob novas perspectivas, em razão das lutas legítimas contra o sexismo, o racismo e toda forma de discriminação.
Diante disso, foi acertado pedido de desculpas que o Pastor Océlio Nauar publicou em nota oficial — não por má-fé, mas por reconhecer que, como Igreja, precisamos estar atentos para não reproduzir falas ou atitudes que possam ofender, ainda que de maneira não intencional.
Essa situação nos convida a reflexão. O mundo caminha para uma consciência mais ampla de direitos e de respeito à dignidade humana, e nós, como Igreja de Cristo, não podemos permanecer alheios. Devemos aprender com a história de grupos que, após tanto sofrimento e exclusão, nos inspiram a rever discursos, abandonar certas brincadeiras e cultivar uma postura de amor e misericórdia.
O que mais entristece, entretanto, é perceber que, dentro da própria Instituição, muitas vezes falta esse mesmo espírito de misericórdia. Enquanto o pastor Océlio Nauar é criticado e denunciado, o esperado seria haver acolhimento, oração e intercessão, sobretudo ao líder Institucional que com Propriedade exerce sua função, se desgastando a servir e conduzir a COMIEADEPA em seus 104 anos de existência. Infelizmente, não raro surgem aqueles que, ao invés de estender a mão, preferem atirar pedras, repetindo a atitude dos fariseus diante de Jesus.
Não negamos que as palavras ditas possam ter causado dor a algumas mulheres, e isso deve ser reconhecido com humildade. Todavia também lamentamos tamanha execração pública promovida por setores da mídia e, pior ainda, a utilização política desse episódio por parte de alguns líderes que deveriam zelar pela unidade do Corpo de Cristo.
Se não fosse o Espírito Santo, o verdadeiro protagonista da missão da Igreja; se não fosse a promessa de Jesus, de que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18), certamente estaríamos mais fragilizados diante dessas crises.
Confiemos, portanto, que Deus está no controle. Que Ele nos dê discernimento, humildade e misericórdia, para que possamos seguir firmes, de cabeça erguida, testemunhando o Evangelho de Cristo em tempos tão desafiadores.
Pr. Jadhiel Costa