Evangélicos deveriam celebrar álbum de Anitta que exalta o candomblé, diz jornalista da Folha

O antropólogo e historiador Juliano Spyer, colunista da Folha de S.Paulo e pesquisador do universo evangélico, defendeu que os evangélicos deveriam “celebrar e não demonizar” Equilibrium II, trabalho de Anitta que exalta o candomblé e outras expressões religiosas de matriz africana. Em vídeo, Spyer afirmou que não acompanhava o trabalho da cantora, mas que o projeto o impressionou por dar visibilidade a uma religiosidade que, segundo ele, historicamente enfrenta preconceito no Brasil.

“O que você fez não foi só bom para candomblecistas ou para macumbeiros, foi bom para o Brasil.”

O principal argumento apresentado por Spyer para envolver os evangélicos na discussão é a liberdade religiosa. Para ele, cristãos que reivindicam o direito de professar e manifestar publicamente suas crenças deveriam defender que essa mesma liberdade seja garantida aos adeptos de outras religiões. “Não existe liberdade se for para uma religião só; Estado laico é para todo mundo conviver”, declarou.

“Em vez de enfatizar o enfrentamento e o ódio, ‘Equilibrium II’ promove o convívio.”

Spyer também elogiou a maneira como Anitta levou referências do candomblé para uma produção de grande alcance, afirmando que a cantora apresentou essa religiosidade de forma “grandiosa” e com padrão de show business. Segundo ele, apesar de misturar religião e entretenimento, o projeto não teria sido construído para atacar ou confrontar outras crenças, mas para apresentar e valorizar manifestações religiosas e culturais de matriz africana.

Ao concluir, o pesquisador relacionou o trabalho ao atual cenário de “guerras culturais” e defendeu maior diálogo entre grupos que pensam e creem de maneiras diferentes. Spyer acredita que a projeção internacional de Anitta também pode ampliar a visibilidade dessas manifestações brasileiras fora do país. “Você abre um portal e aponta uma direção com ‘Equilibrium II’”, afirmou, antes de encerrar sua mensagem à cantora dizendo: “Axé, shalom, paz.”