Documento contesta parecer da Igreja Presbiteriana que classificou Congregação Cristã no Brasil próxima de “seita”

Uma manifestação técnica encaminhada ao Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) abriu um novo capítulo em uma discussão doutrinária envolvendo a Congregação Cristã no Brasil (CCB). O documento, datado de 6 de agosto de 2026 e assinado por João Aparicio de Souza, foi elaborado em resposta a um relatório aprovado pela IPB em 2022 sobre o posicionamento da denominação presbiteriana em relação à CCB.

Segundo a manifestação, o relatório presbiteriano questionou aspectos relacionados à autoridade das Escrituras, batismo, Trindade e suposto exclusivismo religioso. A conclusão atribuída à comissão da IPB foi de que a CCB não preencheria requisitos doutrinários considerados essenciais pela Igreja Presbiteriana para ser reconhecida como igreja genuinamente evangélica, apresentando características que, na avaliação da comissão, se aproximariam da definição de “seita”. O parecer também teria orientado que pessoas vindas da CCB para a IPB fossem recebidas mediante novo batismo e pública profissão de fé, deixando de reconhecer o batismo anteriormente ministrado pela Congregação.

A manifestação de João Aparicio contesta essas conclusões e argumenta que documentos oficiais mais recentes da CCB não sustentariam algumas das interpretações apresentadas pela comissão presbiteriana. Entre os exemplos citados está o entendimento sobre a Bíblia. O documento menciona a Assembleia Geral de 2023, segundo a qual “Somente a Bíblia é autoridade suficiente, absoluta e referência definitiva do saber para a doutrinação”. Também é citada uma circular de 2025 que rejeitaria expressamente a ideia de que estudar a Bíblia provoca “esfriamento” espiritual e defenderia o estudo das Escrituras.

Outro ponto central é a acusação de exclusivismo religioso. A manifestação sustenta que documentos históricos da CCB afirmam que a denominação não se considera a única igreja salvadora e que a salvação pertence exclusivamente a Jesus Cristo, mencionando ainda ensinamento segundo o qual Deus teria seu povo em diferentes denominações cristãs. Em relação ao batismo, o texto cita orientações internas segundo as quais pessoas provenientes de outras igrejas não devem ser pressionadas ou constrangidas a receber novo batismo.

A defesa também dedica amplo espaço a práticas características da Congregação Cristã, como batismo por imersão, uso do véu pelas mulheres, oração de joelhos, ósculo santo e separação entre homens e mulheres durante os cultos. O argumento apresentado é que essas práticas possuem fundamentos bíblicos reivindicados pela denominação e antecedentes históricos em diferentes períodos do cristianismo, não podendo ser tratadas simplesmente como inovações próprias da CCB.

Ao final, a manifestação reconhece que o posicionamento da IPB está inserido na autonomia doutrinária e confessional da própria Igreja Presbiteriana, mas sustenta que ele não possui efeito vinculante sobre a identidade religiosa da CCB. O documento conclui que diversas afirmações do parecer presbiteriano não corresponderiam integralmente, na avaliação de seu autor, aos ensinamentos oficiais da Congregação.

Apesar do teor crítico, o texto afirma que a iniciativa não pretende iniciar uma disputa teológica ou confronto entre as duas denominações. A manifestação foi encaminhada ao Supremo Concílio da IPB para conhecimento, sendo apresentada como resposta de natureza informativa, doutrinária e documental.

Confira o parecer: