Antes da Adventista, a IPB já tinha declarado a CCB como seita; entenda os motivos teológicos e o impacto prático

A decisão da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) de classificar a Igreja Adventista do Sétimo Dia como seita em seu Supremo Concílio de 2026 não é um caso isolado. Quatro anos antes, em julho de 2022, durante o Supremo Concílio realizado em Cuiabá (MT), a IPB já havia desqualificado a Congregação Cristã no Brasil (CCB), determinando que não a reconhecia como “igreja genuinamente evangélica” devido a “características peculiares a seitas” .

O pastor e teólogo Augustus Nicodemus, um dos nomes mais respeitados da denominação, defendeu publicamente a posição da IPB em suas redes sociais. Em um Stories no Instagram, ele afirmou: “Essa é a posição da Igreja Presbiteriana do Brasil desde 2022, com a qual eu concordo inteiramente, uma vez que a CCB tem algumas práticas que são características de seitas” .

Motivos teológicos: exclusivismo, mudança no estatuto e cristologia

Um dos principais fatores que levaram a IPB a classificar a CCB como seita foi uma alteração no estatuto da igreja. O documento original declarava que a Bíblia é a “infalível Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo”. Após a modificação — adotada em 1995 e ratificada em 2004 —, o texto passou a dizer que a Bíblia “contém” a infalível Palavra de Deus . Para teólogos da IPB, essa mudança abre margem para que outras formas de revelação sejam aceitas, comprometendo o princípio reformado da Sola Scriptura .

Além disso, a CCB é acusada de exclusivismo doutrinário. De acordo com análises do Instituto Cristão de Pesquisas, a denominação ensina que a “verdadeira graça” está somente na sua irmandade. O pastor Marcos Granconato, da Igreja Batista Redenção, explicou que membros da CCB são doutrinados a interpretar a palavra “graça” em Efésios 2:8 como referência à própria Congregação Cristã: “Pela Congregação Cristã no Brasil sois salvos” . Uma publicação interna da CCB, a chamada “Lista secreta de ensinamentos de 1961”, declara que “quem não está na doutrina não é considerado como irmão” .

A cristologia no batismo também é apontada como problemática. A CCB batiza “em nome de Jesus” e “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, o que, para a IPB, parece fazer uma divisão entre as duas pessoas de Cristo, rompendo com a doutrina ortodoxa definida no Concílio de Calcedônia (ano 451 d.C.) . O documento do Supremo Concílio também cita o exclusivismo prático da CCB, que disciplina membros que visitam outras denominações e não utiliza meios de divulgação pública de sua doutrina, afirmando que quem tiver interesse deve frequentar seus cultos .

Impacto prático: novo batismo e catecúmenos

A decisão da IPB tem efeitos práticos para membros da CCB que desejam ingressar na denominação presbiteriana. O Supremo Concílio de 2022 determinou que a recepção de membros oriundos da CCB deve se dar por meio de pública profissão de fé e batismo — uma vez que o batismo anterior é considerado inválido . Além disso, os candidatos precisam passar pelo processo de catecúmenos, que inclui instrução na fé reformada.

Essa mesma exigência foi aplicada à Igreja Adventista em 2026, evidenciando que a IPB tem adotado um padrão consistente de tratamento para grupos que considera sectários. O posicionamento da IPB sobre a CCB também é compartilhado por outras denominações, como a Assembleia de Deus e a Igreja Universal . O pastor Augustus Nicodemus, em sua declaração, concluiu: “A IPB não considera a CCB como sendo uma igreja genuinamente evangélica e recomenda que todos os que vêm da CCB para a IPB sejam batizados depois de fazerem sua pública profissão de fé”.

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