Defensoria reúne jornalistas no Tocantins para discutir cobertura de violência contra mulheres
A Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) reuniu jornalistas e comunicadores em Palmas para discutir como a imprensa pode abordar casos de violência contra mulheres sem contribuir para a exposição inadequada ou revitimização das vítimas. O encontro foi realizado na sexta-feira (28), em parceria com a Secretaria Municipal da Mulher de Palmas e o Sindicato dos Jornalistas do Tocantins (Sindjor/TO).
A atividade, alusiva ao Agosto Lilás, reuniu mais de 30 profissionais e estudantes de comunicação. Com o tema “A cobertura de pautas de gênero e direitos das mulheres”, o debate abordou especialmente a forma como casos de feminicídio e outras modalidades de violência são apresentados ao público.
A coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), defensora pública Flávia Hardt Schreiner, destacou que o trabalho jornalístico também pode contribuir para a proteção das vítimas. “A imprensa é parceira do Poder Judiciário, ela é parceira dos órgãos de acesso à Justiça, das nossas instituições e uma imprensa ética faz parte da rede de enfrentamento à violência contra a mulher”, afirmou.
O defensor público-geral do Tocantins, Pedro Alexandre Conceição Aires Gonçalves, ressaltou que ampliar o acesso às informações sobre direitos também pode colaborar para a prevenção da violência. Segundo ele, a Defensoria pretende continuar funcionando como espaço de diálogo e parceria sobre o tema.
A professora da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e jornalista Cynthia Mara Miranda defendeu a formação permanente dos profissionais. “A gente precisa de letramento, precisa de formação dentro da universidade, e para além dela”, afirmou. Já a presidente do Sindjor/TO, Alessandra Barcelar, explicou que a iniciativa buscou estimular os jornalistas a refletirem sobre a própria atuação e sobre o uso de termos inadequados na cobertura da violência contra mulheres.
A secretária municipal da Mulher de Palmas, Chayla Félix, que mediou o encontro, defendeu uma atuação conjunta entre instituições e sociedade. Segundo ela, o enfrentamento da violência contra a mulher não pode ficar sob responsabilidade de apenas um órgão, exigindo ações integradas de informação, acolhimento e orientação.
Durante o encontro, participantes defenderam que a discussão não fique restrita a campanhas ou períodos específicos. A DPE-TO colocou-se à disposição para novas iniciativas destinadas à formação de jornalistas, comunicadores e acadêmicos de Jornalismo.
Fonte: Defensoria Pública do Estado do Tocantins
Foto: Divulgação/DPE-TO