CGADB: O que é o ELAD, evento que é alvo de debate e ganhou novo fôlego em 2026
O ELAD – Encontro de Líderes das Assembleias de Deus é um dos eventos mais importantes do calendário da Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) . Criado em 1979 pela CGADB, o ELAD surgiu como um fórum de estudos sobre temas de alta relevância que envolviam a igreja em seu contexto social, político e teológico.
Realizado anualmente, o evento reúne centenas de pastores, líderes, obreiros e esposas de ministros de todo o país para debater questões atuais e de grande relevância para a denominação. Diferentemente das Assembleias Gerais Ordinárias (AGOs), que têm caráter deliberativo e administrativo, o ELAD tem um perfil mais formativo e reflexivo, voltado à capacitação e ao alinhamento doutrinário dos líderes assembleianos.
O marco de 1999: o 5º ELAD e o memorando contra modismos
O 5º ELAD, realizado em 1999 na sede da CGADB no Rio de Janeiro, tornou-se um marco na história das Assembleias de Deus no Brasil. Na ocasião, o Conselho de Doutrina da CGADB apresentou uma atualização da Resolução Oficial de Santo André, estabelecendo normas sobre usos e costumes que norteiam a denominação até hoje.
O encontro produziu um memorando que orientava as igrejas a se absterem de práticas consideradas desviantes da doutrina pentecostal clássica. Entre os temas abordados estavam:
- O “cair para trás” em cultos
- Adoração a anjos
- Idolatria a líderes e títulos apostólicos
- Sessões de quebra de maldição
- Falsos arrebatamentos com viés de necromancia
- Mudanças litúrgicas com viés de entretenimento
- Teologia da prosperidade
O consenso, segundo registros históricos, foi que todas essas distorções deveriam ser rechaçadas. A resolução do ELAD de 1999 foi ratificada na 40ª Assembleia Geral Ordinária da CGADB, em Cuiabá, em 2011, e até hoje orienta as igrejas sobre padrões doutrinários e de conduta.
ELAD 2024: política, legislação eleitoral e discurso de ódio
Em junho de 2024, a CGADB realizou mais uma edição do ELAD no templo-sede da Assembleia de Deus – Ministério do Belém, em São Paulo. O evento contou com a participação de centenas de líderes e esposas de todo o país e abordou temas como:
- Religião e Política no Brasil
- A Igreja e a Legislação Eleitoral
- Aspectos Jurídicos da Liberdade de Culto
- O Discurso de Ódio
Um diferencial da edição foi a participação das mulheres no mesmo auditório, sob a liderança da irmã Lídia Dantas Costa, presidente da UNEMAD. O pastor José Wellington Costa Junior, presidente da CGADB, comemorou o resultado: “a grande aceitação dos Pastores de todo o Brasil ao nosso convite para este ELAD alegra o nosso coração” .
O debate de 2026: “Está na hora de um novo ELAD”
Em julho de 2026, o pastor Jesiel Padilha, presidente da Assembleia de Deus — Ministério do Belém em Santos (SP), reacendeu o debate ao publicar um post sugerindo que “está na hora de um novo ELAD” para discutir os desafios atuais da igreja.
Questionado pelo JM Notícia sobre quais pautas considerava importantes, Padilha foi direto:
“Mudança de liturgia, engajamento político em púlpitos tem espantado muita gente. Enriquecimento de líderes. Por qual motivo o número de desigrejados tem crescido tanto? As sedes têm se distanciado muito da simplicidade das congregações e o endeusamento de líderes tem aumentado.”
A fala do pastor Padilha não é um movimento isolado. Ela se soma a outras vozes que, dentro e fora das Assembleias de Deus, têm pedido uma revisão dos rumos da denominação. O ELAD, que já foi o fórum onde a igreja se posicionou contra modismos nos anos 1990, pode voltar a ser o espaço para enfrentar os desafios do presente.
O ELAD como termômetro da assembleianidade
A história do ELAD reflete as tensões e transformações pelas quais as Assembleias de Deus passaram ao longo das últimas décadas. De fórum de orientação doutrinária nos anos 1970 e 1990 a espaço de debate sobre política e discurso de ódio nos anos 2020, o evento continua sendo um termômetro das preocupações da liderança assembleiana.
Resta saber se a CGADB e as demais convenções ouvirão o chamado por um novo ELAD — ou se o debate, mais uma vez, ficará restrito às redes sociais.