O pastor Jesiel Padilha, presidente da Assembleia de Deus — Ministério do Belém em Santos (SP) , publicou um post em suas redes sociais neste final de semana que tem gerado forte repercussão entre líderes e membros da denominação. Nele, ele resgata um marco da história assembleiana — o 5º Encontro de Líderes das Assembleias de Deus (ELAD), realizado em 1999 na sede da CGADB, no Rio de Janeiro — e sugere que “está na hora de um novo ELAD” para discutir os desafios atuais da igreja.
“Em 1999 pastores de todo Brasil estiveram na sede da CGADB no Rio de Janeiro para debater sobre inovações vindas dos EUA e Colômbia. O debate produziria um memorando advertindo as igrejas para não aderir aos modismos e heresias exdrúxulas como o cair para trás, adoração a anjos, idolatria aos líderes, títulos de apóstolo, regressão com viés espírita, sessão de quebra de maldição, falsos arrebatamentos mais parecidos com necromancia, mudança na liturgia visando trazer entretenimento para o culto e teologia da prosperidade para arrancar tudo dos crentes.”
O ELAD de 1999 e o memorando contra modismos
O 5º ELAD, realizado em 1999, foi um marco na história das Assembleias de Deus no Brasil. Na ocasião, o Conselho de Doutrina da CGADB apresentou uma atualização da Resolução Oficial de Santo André, estabelecendo normas sobre usos e costumes que norteiam a denominação até hoje. O encontro produziu um documento que orientava as igrejas a se absterem de práticas consideradas desviantes da doutrina pentecostal clássica.
O memorando abordava temas como o “cair para trás” em cultos, a adoração a anjos, a idolatria a líderes, títulos apostólicos, sessões de quebra de maldição, falsos arrebatamentos, mudanças litúrgicas com viés de entretenimento e a teologia da prosperidade. O consenso, segundo Padilha, foi que todas essas distorções deveriam ser rechaçadas.
A resolução do ELAD de 1999 foi ratificada na 40ª Assembleia Geral Ordinária da CGADB, em Cuiabá, em 2011, e até hoje orienta as igrejas sobre padrões doutrinários e de conduta.
As pautas para um novo ELAD
Questionado pelo JM Notícia sobre quais pautas ele consideraria importantes para um novo ELAD, o pastor Jesiel Padilha foi direto:
“Mudança de liturgia, engajamento político em púlpitos tem espantado muita gente. Enriquecimento de líderes. Por qual motivo o número de desigrejados tem crescido tanto? As sedes têm se distanciado muito da simplicidade das congregações e o endeusamento de líderes tem aumentado.”
As palavras de Padilha ecoam um sentimento que tem crescido entre membros e lideranças de base: a percepção de que a igreja está se distanciando de suas raízes e adotando práticas que afastam os fiéis. O fenômeno dos “desigrejados” — cristãos que deixam de frequentar templos sem abandonar a fé — tem sido alvo de debates e estudos nos últimos anos, até mesmo dentro da pentecostal Assembleia de Deus.
Um chamado à reflexão
A postagem do pastor Padilha reacende um debate que atravessa gerações no meio assembleiano: até que ponto a igreja deve se adaptar aos tempos sem perder sua identidade? O ELAD de 1999 foi uma resposta a influências externas que, na época, ameaçavam descaracterizar a doutrina pentecostal clássica. Agora, quase três décadas depois, novos desafios emergem.
O “engajamento político em púlpitos” mencionado por Padilha tem sido um dos temas mais controversos nos últimos anos, especialmente em ano eleitoral. O “enriquecimento de líderes” e o “endeusamento” também são críticas frequentes ao modelo de liderança que tem se consolidado em algumas igrejas, especialmente as de maior porte.
O que esperar?
A fala do pastor Jesiel Padilha não é um movimento isolado. Ela se soma a outras vozes que, dentro e fora das Assembleias de Deus, têm pedido uma revisão dos rumos da denominação. Resta saber se a CGADB e as demais convenções ouvirão esse chamado e promoverão um novo ELAD — ou se o debate ficará restrito às redes sociais.
