A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) aprovou, em seu Supremo Concílio — o órgão máximo da denominação —, um documento que classifica a Igreja Adventista do Sétimo Dia como “seita” , com doutrinas consideradas “antibíblicas”. A decisão, que tem gerado grande repercussão no meio evangélico, foi detalhada pelo pastor Caio Modesto em seu canal no YouTube, onde ele explica os seis pontos que levaram à aprovação do documento.
O pastor ressalta que a decisão afeta somente a IPB, não se estendendo a outras igrejas reformadas como a IPI, IPU ou IPR. A medida exige que adventistas que desejarem se filiar à IPB passem por um processo de catecúmenos (instrução na fé reformada) e sejam batizados novamente — uma vez que seu batismo anterior é considerado inválido pela igreja.
Os seis pontos da discordância doutrinária
O documento aprovado pelo Supremo Concílio lista seis razões principais para classificar o adventismo como seita:
1. Exclusivismo e acusação de “filhas da Babilônia” — A IASD se intitula a “única igreja visível verdadeira” e classifica todas as outras denominações como “filhas da Babilônia”. Segundo o documento, “Assembleia de Deus, Batista, Presbiteriana, Anglicana, Luterana — todas as igrejas são consideradas filhas da Babilônia”.
2. Juízo investigativo — A doutrina adventista ensina que, a partir de 1844, Jesus iniciou um “juízo investigativo” no santuário celestial, analisando a vida de todos os que professam a fé para confirmação da salvação. O pastor Caio Modesto afirma que essa doutrina “foi inventada para não dizer que erraram o dia da volta de Jesus”.
3. Sábado como selo escatológico e marca da besta — O adventismo coloca a guarda do sábado (sábado) como “selo escatológico da salvação” e ensina que a guarda do domingo será a “marca da besta” no fim dos tempos. “Inclusive o Rodrigo Silva já defendeu isso publicamente”, afirma Modesto.
4. Ellen White como “espírito da profecia” — A IASD ensina que Ellen G. White tem o mesmo “espírito de profecia” dos profetas do Antigo e Novo Testamento, colocando seus escritos no mesmo nível de inspiração da Bíblia — o que o pastor classifica como “absurdo”.
5. Aniquilacionismo — Os adventistas defendem que as almas dos ímpios serão destruídas após o juízo final, negando o tormento eterno, o que contraria a teologia reformada tradicional.
6. Satanás como “bode emissário” — O documento afirma que a IASD sustenta que Satanás é o bode emissário de Levítico 16, carregando a responsabilidade final pelos pecados dos salvos, o que coloca o diabo como coparticipante da expiação — uma doutrina que “não existe à luz da cosmovisão cristã”.
O que muda na prática
O pastor Caio Modesto explica que, a partir de agora, adventistas que desejarem ingressar na IPB deverão:
- Fazer uma pública profissão de fé
- Serem batizados novamente (não rebatizados, pois o batismo anterior é considerado inválido)
- Passar pelo catecúmenos (instrução na fé reformada)
Além disso, membros da IPB estão proibidos de participar de eventos ligados à Igreja Adventista , incluindo programas musicais da TV Novo Tempo, emissora vinculada à denominação.
“Inclusive, salvo engano, tem um programa musical da igreja adventista que muitos presbiterianos vão lá. Eu sugiro que vocês não façam mais isso porque tem ligação direta com a Igreja Adventista do Sétimo Dia” , alertou o pastor.
Reações e repercussão
O pastor Caio Modesto, que se diz desconhecer uma igreja “tão séria quanto a IPB”, elogiou a coragem da denominação:
“Dificilmente uma igreja faz isso porque tem medo de perder os seus membros, mas a gente foi lá e fez.”
Ele sugere que outras igrejas — como Batistas e Assembleias de Deus — sigam o exemplo da IPB, classificando como seitas outras denominações como Igreja Cristã Maranata, Congregação Cristã no Brasil e Testemunhas de Jeová.
O documento, disponível na plataforma Icalvinos, é um marco histórico para a IPB, que pela primeira vez documenta oficialmente sua posição em relação ao adventismo.