Universal lança campanha para mobilizar fiéis e eleger bispos e pastores nas eleições de outubro
A Igreja Universal do Reino de Deus lançou o “Desafio de Neemias”, campanha de 52 dias apresentada oficialmente como uma jornada de fé, foco e reconstrução espiritual. A ação começou nesta quinta-feira, 13, e tem encerramento previsto para 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições.
A campanha é inspirada na narrativa bíblica de Neemias, que reconstruiu os muros de Jerusalém em 52 dias. Segundo a divulgação do projeto, a proposta é incentivar os fiéis a fortalecerem a fé e os valores cristãos por meio de uma mobilização diária.
Nos bastidores, porém, a iniciativa passou a ser associada à estratégia eleitoral da Universal. Relatos de pastores e ex-pastores da denominação apontam que a campanha também busca mobilizar fiéis e voluntários em torno de candidatos apoiados pela igreja, especialmente bispos e pastores que disputam vagas de deputado estadual e federal.
Os participantes são orientados a se cadastrar no site oficial do projeto. De acordo com o ex-pastor Davi Vieira, a liderança da Universal teria definido que cada inscrito procure mobilizar outras 52 pessoas. Até 4 de agosto, segundo o texto original, 154 mil fiéis e simpatizantes já estavam cadastrados.
Durante o período da campanha, os inscritos devem receber vídeos, reflexões, notícias e orientações de líderes religiosos. Os conteúdos tratam de temas espirituais e de assuntos ligados ao debate público, como família, sexualidade, liberdade religiosa e relatos de perseguição a cristãos.
A Universal usa a imagem da reconstrução dos muros de Jerusalém como símbolo de proteção da fé e dos valores defendidos pela igreja. A ideia apresentada aos fiéis é a de colocar “um tijolo por dia” em uma jornada de compromisso espiritual.
A coincidência entre o calendário da campanha e o período eleitoral ampliou a discussão sobre os limites entre mobilização religiosa e atuação política. Oficialmente, o “Desafio de Neemias” é divulgado como projeto de fé. As informações sobre finalidade eleitoral partem de relatos atribuídos a integrantes e ex-integrantes da denominação.
A Universal tem forte presença no campo religioso e político brasileiro. A denominação mantém influência sobre lideranças públicas, especialmente por meio de nomes ligados ao Republicanos e a mandatos exercidos por bispos, pastores, obreiros e comunicadores associados à igreja.
A campanha deve seguir até o dia da votação em primeiro turno. Até lá, a mobilização tende a manter a Universal no centro do debate sobre a participação de igrejas e lideranças religiosas nas eleições.