Sem adesões de peso, agenda de Janja mira base feminina evangélica
A primeira-dama, Janja Lula da Silva, mantém agenda de viagens para se reunir com mulheres evangélicas. A estratégia busca reduzir a resistência do segmento ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta terça-feira (30), ela esteve em Caruaru (PE). Desde o início de julho, visitou Rio (RJ), Salvador (BA), Manaus (AM) e Ceilândia Norte (DF).
Os encontros são articulados pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. A proposta é discutir o impacto de políticas públicas na vida das famílias. Segundo Janja, os debates tratam de desigualdade, dignidade e oportunidades. Também apresentam ações de saúde, geração de renda e combate à pobreza menstrual. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, acompanhou parte das agendas.
O movimento ocorre enquanto 52% dos evangélicos avaliam o governo como ruim ou péssimo, de acordo com o Datafolha. Em junho, a mesma pesquisa mostrou divisão sobre a atuação da primeira-dama: 36% dizem que suas ações atrapalham o governo; 14% avaliam que ajudam; 40% não veem efeito; 10% não opinaram.
A iniciativa, porém, não exibe, nas agendas divulgadas, adesões de grande projeção do meio evangélico. Não há registro de cantores, pastores influentes, missionários conhecidos ou apoio institucional de grandes denominações. Diferentemente do que se via com Jair Bolsonaro (PL), cujos eventos reuniam lideranças de alto alcance nacional. As convocações citam a Frente organizadora, sem detalhar quem são as participantes nem quais igrejas elas lideram.
O Planalto aposta no perfil das mulheres convidadas para avançar no diálogo local. Janja tem repetido que elas exercem liderança nas comunidades e podem irradiar informação sobre políticas federais. A leitura no governo é que a reaproximação exige capilaridade e escuta.
A ação da primeira-dama integra um esforço mais amplo. Há duas semanas, Janja e Lula participaram do podcast “Papo de Crente”. O presidente afirmou evitar cultos em campanha para não transformar templos em palanque. Janja disse focar no efeito das políticas públicas, sobretudo entre mulheres negras e de periferias, e não em religião.