“Qualquer cerceamento à igreja não terá meu voto”: senador Eduardo Gomes critica PL da Misoginia em evento da CIADSETA

O senador Eduardo Gomes (PL-TO) afirmou, durante a 91ª Assembleia Geral Ordinária da CIADSETA em Colinas do Tocantins, que qualquer projeto que represente cerceamento à igreja ou à pregação do evangelho não terá seu voto. A declaração foi feita na manhã deste sábado (11), em discurso direcionado aos líderes assembleianos reunidos no evento, e teve citação ao avanço do Projeto de Lei 896/2023, que criminaliza a misoginia e está em tramitação na Câmara dos Deputados.

“Qualquer cerceamento à igreja não terá meu voto. Sabemos que a Igreja tem competência para combater dependência química e realizar assistência social onde às vezes o estado não chega. Em suma: fui escolhido para defender a família brasileira” — afirmou o senador.

O parlamentar fez referência direta ao projeto relatado pela deputada Tábata Amaral (PSB-SP) , que equipara a misoginia ao crime de racismo e prevê penas de reclusão de dois a cinco anos para crimes motivados por menosprezo ou discriminação contra mulheres. A nova versão do texto, apresentada pela relatora, substitui os termos “ódio” e “aversão” por “menosprezo ou discriminação em razão da condição de mulher”.

O que está em jogo no PL da Misoginia

O projeto, já aprovado pelo Senado em março de 2026, agora aguarda votação na Câmara dos Deputados. O texto prevê:

  • Pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa para crimes motivados por misoginia
  • Crime inafiançável e imprescritível, nos moldes do racismo
  • Suspensão temporária de contas ou perfis usados para divulgar conteúdo misógino
  • Agravantes para crimes cometidos com objetivo de gerar engajamento ou monetização em redes sociais

A preocupação de parlamentares evangélicos com o projeto não é nova. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) , que também se manifestou contra o texto, afirmou que o projeto “representa um risco para a liberdade de expressão e para a liberdade religiosa” . Segundo ela, o texto ainda contém conceitos amplos e subjetivos.

O alerta do senador durante a AGO

Eduardo Gomes, que é vice-presidente do Senado e foi líder do governo Bolsonaro por três anos e meio, deixou claro que sua posição é firme e que não aprovará qualquer matéria que, em sua avaliação, possa prejudicar a atuação das igrejas.

“Qualquer movimentação de projeto que é relatado pela deputada Tábata Amaral na Câmara… qualquer coisa que fuja disso, eu tenho certeza que não terá o meu voto, nem da Senadora Dorinha, nem de nenhum brasileiro que quer ver a religião sendo perseguida, a igreja sendo de qualquer maneira cerceada” — disse o senador.

O parlamentar também reafirmou seu compromisso com a defesa da família brasileira, afirmando ter sido escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para essa missão.

Contexto do evento

91ª AGO da CIADSETA acontece entre os dias 9 e 12 de julho no Templo Sede da AD SETA Colinas-TO , com o tema “O IDE LEVADO A SÉRIO” , baseado em Marcos 16.15. O evento reúne pastores, líderes e membros da convenção para momentos de comunhão e renovação espiritual.

O presidente da CIADSETA, pastor Paulo Martins, destacou a parceria antiga da convenção com Eduardo Gomes e expressou gratidão ao parlamentar. A convenção também declarou apoio à reeleição do senador e a outros nomes da política tocantinense.