Pesquisa revela que identidade protestante está sumindo entre os jovens; entenda

Uma nova pesquisa da Geração Z, conduzida pelo Instituto de Pesquisa do Centro Billy Graham e financiada pela Fundação Lilly, revelou uma mudança significativa na forma como os jovens americanos se identificam religiosamente. O estudo, realizado entre agosto e setembro de 2024 com 2.365 respondentes, mostra que a maioria prefere o rótulo genérico “cristão” em vez de “protestante” — e essa preferência é ainda mais forte entre os evangélicos.

Os números

O rótulo “cristão” foi escolhido por 27% dos jovens da Geração Z — cerca de 10 pontos percentuais acima daqueles que se identificam como católicos e 17 pontos acima dos que se dizem protestantes. Isso confirma dados anteriores: jovens adultos são cerca de três vezes mais propensos a se chamarem de “cristãos genéricos” do que de protestantes.

O dado mais surpreendente, no entanto, emerge quando se analisa o subgrupo de jovens que se dizem “nascidos de novo” ou evangélicos (cerca de 24% da amostra). Mesmo entre esse grupo teologicamente engajado, a maioria — 54% — se identifica como “cristã genérica”, contra apenas 22% que escolheram “protestante”.

Protestantismo em declínio como identidade

A pesquisa também aponta que um jovem adulto da Geração Z (entre 18 e 28 anos) tem praticamente a mesma probabilidade de se identificar como agnóstico (10%) ou ateu (9%) do que como protestante. Isso ilustra o quão incomum a identidade protestante se tornou entre a geração mais jovem de americanos.

Entre os americanos mais velhos, o padrão se inverte drasticamente: pessoas com 70 anos têm três vezes mais probabilidade de se identificar como protestantes do que como “apenas cristãs”.

Quem tem vida de fé mais estável?

A pesquisa revela que os protestantes declarados da Geração Z têm vidas de fé mais estáveis e engajadas do que seus pares que se dizem apenas “cristãos”.

Frequência à igreja: enquanto 58% dos protestantes da Geração Z relataram frequência regular à igreja ao longo de toda a vida, entre os “cristãos genéricos” esse número cai para 34% — e entre os católicos, para apenas 28%.

Estrutura familiar: jovens protestantes cresceram em lares mais estáveis — 17 pontos percentuais mais propensos a terem vivido em famílias com ambos os pais do que os “cristãos genéricos”. Também foram criados em lares com maior envolvimento religioso: a maioria (cerca de 50%) disse que ambos os pais iam à igreja semanalmente.

Engajamento atual: 49% dos protestantes declararam alta atividade religiosa, contra 41% dos “cristãos genéricos”.

O que isso significa

O estudo indica que, embora a identidade protestante esteja perdendo força como rótulo entre os jovens americanos, aqueles que a mantêm tendem a ter uma fé mais enraizada, com maior frequência à igreja e lares mais estruturados.

“Hoje, aqueles que no passado poderiam ter se identificado como protestantes (incluindo jovens evangélicos, não denominacionais e pentecostais) já não o fazem. O passado protestante na América é cada vez menos relevante para as vidas religiosas e identidades dos jovens adultos contemporâneos” — aponta o relatório.

E no Brasil?

Embora a pesquisa seja americana, o fenômeno parece ser global. No Brasil, também se observa um crescimento de jovens que se dizem “cristãos” sem vínculo denominacional ou que rejeitam rótulos históricos como “protestante” ou “evangélico” — optando por identidades mais fluidas, como “crente” ou “cristão evangélico”. Especialistas apontam que a desinstitucionalização da fé e a desconfiança em relação a denominações tradicionais contribuem para esse movimento.

Com informações ChristianToday