Pastor Renato Vargens critica apoio evangélico a Jorge Messias ao STF

O pastor Renato Vargens criticou evangélicos e líderes religiosos que apoiam a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A reação ocorre às vésperas da sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, marcada para quarta-feira, 29, às 9 horas.

Em publicação nas redes sociais, Vargens disse considerar “um absurdo” que um evangélico, “ou mesmo pastor”, apoie o nome de Messias para o Supremo. Segundo ele, o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) assinou parecer institucional ligado ao tema do aborto.

“Considero um absurdo qualquer evangélico, ou mesmo pastor, apoiar a indicação de Jorge Messias ao STF, visto que, como chefe da AGU, assinou um parecer institucional favorável ao aborto, prática abominável aos olhos do Senhor”, escreveu o pastor.

A crítica se refere à atuação da AGU em ação no STF sobre a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que restringia a atuação médica em casos de aborto previsto em lei após 22 semanas de gestação. Em 2024, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a norma do CFM até o julgamento final do caso.

Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. O nome precisa ser aprovado pela CCJ e, depois, pelo plenário do Senado. Para chegar ao STF, o indicado deve receber ao menos 41 votos favoráveis entre os 81 senadores.

Entre os que manifestaram apoio a Messias está o pastor Silas Câmara (Republicanos-AM), deputado federal licenciado e ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica. A posição de Silas ampliou a reação de setores evangélicos contrários à indicação. Para críticos como Vargens, o apoio de lideranças religiosas ao nome de Messias entra em conflito com a pauta antiaborto, uma das bandeiras mais sensíveis do segmento conservador.