O menor país da história da Copa do Mundo chega aos EUA cantando “A Bondade de Deus”
A seleção nacional de Curaçao já está escrevendo seu nome na história do futebol mundial — e não apenas por suas conquistas dentro de campo. O país insular caribenho, com apenas 156 mil habitantes e 444 km², é a menor nação em população e território a disputar uma Copa do Mundo, quebrando o recorde anteriormente detido pela Islândia (Rússia 2018).
Mas o que tem chamado ainda mais a atenção da imprensa internacional é a forma como o time tem se preparado para o torneio. Na véspera da viagem para os Estados Unidos, onde acontece a Copa do Mundo de 2026, os jogadores e a comissão técnica participaram de um culto de adoração e oração coletivo em Noordwijk, na Holanda.
As imagens do evento viralizaram nas redes sociais. Nelas, atletas e treinadores aparecem cantando louvores, incluindo o hino “The Goodness of God” (“A Bondade de Deus”) , música que a equipe adotou como seu cântico durante toda a fase classificatória — na qual Curaçao ficou invicto, liderando o grupo à frente de Jamaica, Trinidad e Tobago e Bermudas.
“Deixei Kenji ir e deixei Deus entrar”
Durante o encontro espiritual, organizado em parceria com o movimento de adoração Presence Revival, o jogador Kenji Gorré — atacante do Maccabi Haifa (Israel) e formado nas categorias de base do Manchester United — compartilhou sua emocionante história de conversão com os companheiros de equipe.
Gorré, que também é um dos líderes do movimento esportivo cristão Ballers in God, contou como construiu sua identidade inteiramente em torno do futebol desde a infância.
“Minha alegria estava nisso. Minha felicidade estava nisso. Quando o futebol ia bem, minha vida ia bem. Quando o futebol ia mal, minha vida ia mal. Essa era a minha realidade”, explicou.
O primeiro grande golpe veio aos 18 anos, quando o lendário técnico Sir Alex Ferguson lhe disse que ele não faria parte do time principal do Manchester United.
“Pela primeira vez, minha identidade foi tirada de mim. Todos me conheciam como o cara que jogava no Manchester United. Fiquei me perguntando: quem sou eu?”, relatou.
A busca por sentido continuou mesmo com o sucesso profissional. Depois de assinar com o Swansea, estrear na Premier League e se estabelecer no futebol europeu, Gorré admitiu que nada o preenchia completamente.
“Eu disse a mim mesmo: quero ser o melhor em todas as áreas da minha vida. Não apenas o melhor jogador, mas o melhor em tudo. Se eu conseguir isso, me sentirei realizado”, contou.
Embora acreditasse ter alcançado quase tudo — um relacionamento estável, boas finanças e sucesso esportivo —, ele sentia que ainda faltava algo.
A virada através da morte de um primo
O ponto de inflexão ocorreu quando ele testemunhou a morte de seu primo nos Países Baixos.
“Lembro de estar naquele quarto e vê-lo dar seu último suspiro. Vi seu corpo, mas ele não estava ali. Onde ele está? Meu coração começou a fazer perguntas”, recordou Gorré.
Seu pai então lhe disse algo que deixou uma marca duradoura: “Quando você estiver pronto para ver, você verá. Quando estiver pronto para ouvir, você ouvirá.”
A peça que faltava veio por meio de John Bostock, fundador do movimento Ballers in God, um ministério de discipulado e evangelismo no futebol.
“Ele me perguntou: ‘Kenji, você é cristão?’ E eu disse: sim, claro, nasci cristão. Então ele me perguntou: ‘Quando você entregou sua vida a Cristo?’ Eu não entendi a pergunta. Ele perguntou: ‘Você já ouviu o evangelho? As boas novas?’ Pensei que ele estivesse falando de música”, confessou.
Durante aquela conversa, ele ouviu pela primeira vez a mensagem da morte e ressurreição de Jesus aplicada à sua própria vida. “Vi algo nele que eu não tinha. Agora sei o que era: o Espírito Santo“, explicou.
A partir de então, Gorré começou a buscar ativamente até que, um dia, em sua varanda na Madeira, teve o que descreveu como uma revelação: “Deus, você não está lá fora sozinho. Você está em mim.”
Pouco depois, entregou sua vida a Cristo: “Parei de colocá-Lo no banco de trás e o coloquei no banco do motorista. Eu disse: ‘Deixe pra lá, Kenji, e deixe Deus entrar’. E a partir daquele dia, minha vida mudou para sempre.”
Diante de seus companheiros, Gorré fez um chamado claro para seguir a Jesus: “Ele morreu por você, não apenas por mim. Ele quer ter um relacionamento com você” , declarou.
Uma cena rara no futebol mundial
A imagem de toda uma seleção nacional adorando a Deus antes de uma Copa do Mundo é algo pouco comum no futebol internacional. Para Curaçao, no entanto, o gesto tem um simbolismo ainda mais profundo: uma nação minúscula, que ninguém esperava ver no maior palco do futebol mundial, escolheu preparar-se para seus jogos contra Alemanha (14 de junho), Equador (20 de junho) e Costa do Marfim (25 de junho) com louvor e oração.
O time já garantiu seu lugar na história. Agora, testemunha publicamente sua fé.