MP investiga Energisa por quedas recorrentes de energia em Palmas; concessionária pode ser responsabilizada

Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou inquérito civil público para investigar possíveis violações aos direitos dos consumidores pela concessionária Energisa na capital. O registro recorrente de quedas e oscilações de energia elétrica nos últimos dois meses motivou a abertura do procedimento.

A investigação está a cargo da 15ª Promotoria de Justiça da Capital e abrange uma série de irregularidades apontadas por consumidores e órgãos de defesa.

O que está sendo investigado

Entre os pontos que estão sob apuração estão:

  • Interrupções frequentes no fornecimento de energia
  • Falhas na manutenção preventiva e corretiva da rede elétrica
  • Demora no restabelecimento do serviço após quedas
  • Lentidão para novas ligações
  • Dificuldades enfrentadas pelos consumidores nos canais de atendimento da concessionária
  • Queima de aparelhos eletrodomésticos provocada por oscilações de tensão

Prazo para esclarecimentos

O MPTO requisitou à Energisa, no prazo de 15 dias, uma série de esclarecimentos detalhados, incluindo:

  • As causas das interrupções registradas na capital
  • Apresentação dos indicadores de qualidade do serviço
  • Comprovação das manutenções realizadas na rede elétrica
  • Informações sobre os procedimentos adotados para ressarcimento de consumidores prejudicados por danos em aparelhos eletrônicos

Alerta para grupos vulneráveis

O promotor de Justiça Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira destacou que a energia elétrica é um serviço essencial e que sua prestação deve ocorrer de forma contínua, adequada, eficiente e segura.

Ele chamou atenção para o impacto da má prestação do serviço em grupos considerados mais vulneráveis:

  • Idosos
  • Pessoas com deficiência
  • Pacientes que dependem de aparelhos ligados à energia elétrica para sobrevivência

“A instabilidade no fornecimento compromete não apenas atividades econômicas e educacionais, mas também condições básicas de segurança e dignidade”, destacou o promotor.

Prejuízos em escolas, feiras e comércios

O procedimento também investiga reclamações relacionadas a:

  • Queima de aparelhos eletrodomésticos provocada por oscilações de tensão
  • Prejuízos enfrentados por comerciantes de feiras cobertas
  • Unidades escolares municipais e estaduais que tiveram atividades interrompidas devido às falhas no fornecimento

Órgãos acionados

Além da Energisa, o MPTO expediu ofícios a outros órgãos para reunir informações sobre o caso:

  • Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)
  • Agência de Regulação de Palmas (ARP)
  • Procon estadual e municipal
  • Secretarias Municipal e Estadual de Educação
  • Associação dos Feirantes e Ambulantes de Palmas

Aos órgãos de defesa do consumidor, o MPTO solicitou dados sobre reclamações registradas contra a concessionária nos últimos dois meses, especialmente relacionadas a oscilações de energia, demora no restabelecimento e queima de equipamentos.

As Secretarias de Educação e a Associação dos Feirantes foram acionadas para relatar os prejuízos enfrentados durante o período de instabilidade.

Próximos passos

O procedimento de investigação busca reunir informações técnicas e relatos institucionais para verificar se houve descumprimento das obrigações legais e regulamentares por parte da concessionária responsável pelo serviço em Palmas.

Caso sejam confirmadas irregularidades, a Energisa poderá ser responsabilizada civil e administrativamente, além de estar sujeita a sanções e à obrigação de indenizar consumidores prejudicados.