Manifesto histórico contra o antissemitismo
Brasília, 8 de julho de 2026 — A Casa Apostólica, em conjunto com a Frente Parlamentar Evangélica, apresentou no Senado e na Comissão de Relações Exteriores um manifesto dirigido à comunidade judaica e à sociedade brasileira. O documento, assinado por líderes cristãos de oito Estados, foi encaminhado aos presidentes do Senado, David Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, além das principais autoridades dos três Poderes.
Estrutura e propósito
O texto está dividido em cinco eixos: reconhecimento histórico e pedido de perdão, gratidão, princípios, compromissos e convocação à sociedade.
Reconhecimento e arrependimento
Os signatários reconhecem a Shoá como a maior tragédia contra a dignidade humana na era moderna e lamentam que o lema “Nunca Mais” não tenha sido plenamente cumprido. O massacre de 7 de outubro de 2023, atribuído ao Hamas, é citado como evidência da persistência do antissemitismo. Os líderes pedem desculpas à comunidade judaica por falhas e omissões, reafirmando a necessidade de reparar erros passados e presentes.
Gratidão e valorização
O manifesto ressalta a contribuição do povo judeu em áreas como ciência, medicina, filosofia, artes e cultura. Reafirma também o compromisso de preservar a memória das vítimas da Shoá e combater qualquer forma de intolerância.
Princípios centrais
Entre os pontos destacados, o documento:
- Repudia todas as manifestações de antissemitismo.
- Reafirma o direito de Israel à autodeterminação e segurança.
- Reconhece o sionismo como movimento legítimo.
- Defende Jerusalém como cidade de relevância histórica e espiritual.
- Condena o terrorismo, incluindo ataques do Hamas, e manifesta preocupação com o programa nuclear iraniano.
- Solicita que o Brasil reconheça Hamas, Hezbollah e Estado Islâmico como organizações terroristas.
- Apoia iniciativas de paz, como os Acordos de Abraão.
- Defende a liberdade religiosa e o respeito mútuo, rejeitando tanto o antissemitismo quanto a islamofobia.
Educação e memória
Um dos compromissos mais fortes é a inclusão do ensino sobre a Shoá e o antissemitismo nos currículos escolares. O texto propõe:
- Inserir conteúdos sobre o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial.
- Preparar jovens para identificar e rejeitar discursos de ódio.
- Estabelecer parcerias com instituições judaicas e centros de memória.
- Revisar materiais didáticos para eliminar estereótipos e valorizar a diversidade.
Convocação
O manifesto conclama igrejas, universidades, escolas, meios de comunicação e lideranças políticas a promoverem o diálogo entre judeus e cristãos, rejeitando intolerância e fortalecendo a memória da Shoá.
Significado
A iniciativa é vista como um marco no relacionamento entre evangélicos e judeus no Brasil. Ao assumir compromissos públicos, os líderes esperam inspirar outras instituições a construir uma cultura de respeito e convivência democrática. A expressão “Nunca Mais” é reafirmada como compromisso permanente contra o antissemitismo, o terrorismo e toda forma de desumanização.
Manifesto para download: