Leonardo Gonçalves conta como apoio à esquerda trancou as portas no Brasil: “Convites não aconteceram mais”
O cantor Leonardo Gonçalves, um dos nomes mais expressivos da música cristã brasileira nas últimas duas décadas, abriu o coração sobre os motivos que o levaram a deixar o meio gospel e se mudar para a Alemanha, onde hoje atua como professor de música e inglês. Em entrevista ao jornalista Rodolfo Capler, ele relembrou o período em que viu sua agenda de shows desaparecer e explicou por que acredita que isso aconteceu.
“Inviabilizou-se a minha continuidade de trabalho. Os convites não aconteceram mais” — afirmou o cantor, que iniciou sua carreira solo em 2000 e assinou contrato com a Sony Music em 2010.
Uma carreira construída ao longo de décadas
Leonardo Gonçalves começou sua trajetória musical ainda na adolescência. Aos 14 ou 15 anos, deu os primeiros passos no meio artístico. Em novembro de 1994, aos 17 anos, entrou pela primeira vez em um estúdio profissional — o Estúdio Bibop, em São Paulo — para gravar como membro do coral jovem do IASP.
“Eu tenho tudo isso de trabalho, de história e a pequenos passos sempre fui crescendo e aumentando a minha base de público” — contou.
Em 2010, assinou contrato com a Sony Music, consolidando sua carreira no cenário gospel nacional.
O posicionamento que mudou tudo
O ponto de virada, segundo Leonardo, ocorreu em 2022, após ele se posicionar publicamente contra o que chamou de “instrumentalização da fé” para fins políticos e contra o uso do Legislativo para avançar uma “agenda religiosa”.
“O meu posicionamento foi contra um projeto político, contra a instrumentalização da fé de milhões de pessoas para um projeto político. E o outro lado da mesma moeda é a instrumentalização do Congresso Nacional, do Legislativo, para avançar uma agenda religiosa” — explicou.
O cantor, que já havia abordado o tema em entrevista ao Pedro Bial na época, afirma que sua fala foi decisiva para o fim de sua carreira como artista gospel no Brasil.
“Já falei isso na entrevista que eu dei: inviabilizou-se a minha continuidade de trabalho. Os convites não aconteceram mais” — disse o cantor que em 2022 apoiou a esquerda.
A realidade do artista gospel no Brasil
Leonardo explicou que a música gospel, como qualquer outra vertente artística, exige apresentações ao vivo para sustentar o artista.
“Todo artista no Brasil sabe que, para você se sustentar através da sua arte, você precisa cantar ao vivo” — afirmou.
Ele contou que fez várias tentativas de organizar eventos que deram certo, mas não havia possibilidade de ter periodicidade suficiente para manter sua subsistência.
“Fiz várias tentativas de organizar alguns eventos que deram certo, mas não havia a possibilidade de ter uma periodicidade que me permitisse me sustentar” — revelou.
O convite para a Alemanha
Em dezembro de 2023, veio um convite inesperado: ser professor de música e inglês em uma escola na Alemanha.
Leonardo é formado em Letras e sempre quis ser professor. A carreira musical, segundo ele, foi um “acidente de percurso”.
“Eu sempre quis ser professor. Essa coisa da música ser uma coisa profissional foi um acidente de percurso” — contou.
Ele aceitou o convite “um pouco a contragosto”, mas entendendo que não havia mais espaço para ele no cenário gospel brasileiro.
“Entendendo que não havia mais espaço para mim, realizando o trabalho que eu havia realizado como cantor solo de 22 anos, e que esse cenário também não ia mudar tão rapidamente no Brasil” — afirmou.
Hoje, ele vive em Darmstadt, na Alemanha, onde leciona música e inglês.
“Hoje eu sou professor de música e de inglês numa escola na Alemanha, aqui em Darmstadt. Mudou bastante coisa” — concluiu.