Frida Vingren: teólogo mostra como esposa de Gunnar Vingren pensava sobre “pastoras” nas Assembleias de Deus
O pastor e teólogo José Gonçalves, comentarista das Lições Bíblicas da CPAD e autor de mais de uma dezena de livros, publicou em suas redes sociais uma reflexão sobre o papel da mulher no ministério, a partir da história de Frida Vingren, esposa do missionário Gunnar Vingren — um dos fundadores da Assembleia de Deus no Brasil.
Em seu post, Gonçalves resgata cartas de Frida (arquivo do autor), nas quais ela defende o direito da mulher pregar, mas não o direito de exercer liderança ou pastorear.
“Em suas cartas, Frida Vingren defendeu o direito da mulher pregar, contudo, não o direito de exercer liderança ou pastorear.”
A visão de Frida Vingren
Segundo o comentarista, Frida Vingren acreditava que, excepcionalmente, Deus concedia a algumas mulheres o dom de ensinar. Nesses casos, a mulher poderia transmitir a mensagem de Deus — e também “exortar” a congregação.
A posição de Frida — que permitia a pregação feminina, mas não a liderança pastoral — reflete o entendimento de uma época em que o papel da mulher na igreja era um tema controverso. No início do século XX, quando as Assembleias de Deus estavam se estabelecendo no Brasil, a presença feminina no púlpito era vista com desconfiança por muitos líderes.
“O que foi considerado um grande problema no seu tempo, hoje é amplamente aceito” — observa José Gonçalves.
A relevância histórica de Frida Vingren
Frida Vingren foi esposa de Gunnar Vingren e acompanhou o missionário em sua trajetória no Brasil. Embora seu nome seja menos conhecido que o do marido, ela desempenhou um papel significativo na consolidação da obra missionária e no estabelecimento das Assembleias de Deus no país.
Suas cartas, resgatadas pelo pastor José Gonçalves, oferecem uma janela para o pensamento de uma das primeiras mulheres pentecostais no Brasil sobre o papel feminino no ministério — uma posição que, para a época, já era considerada avançada.
O debate sobre o ministério feminino
A publicação do pastor José Gonçalves reacende o debate sobre o ministério feminino nas Assembleias de Deus e em outras denominações evangélicas. Embora a pregação feminina seja amplamente aceita hoje em muitos círculos pentecostais, a ordenação de mulheres ao pastorado e à liderança plena de igrejas ainda divide opiniões.
A fala de Gonçalves — “hoje é amplamente aceito” — destasca um reconhecimento de que o movimento assembleiano caminhou para uma posição mais inclusiva em relação à participação feminina no púlpito, embora ainda haja restrições em alguns campos e convenções.