Cidade cristã de 1.700 anos é descoberta no Egito com igreja e artefatos da era bíblica
Arqueólogos descobriram uma cidade cristã notavelmente bem preservada, datada de aproximadamente 1.700 anos atrás, sob o deserto ocidental do Egito. O achado, anunciado pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito em 3 de julho, oferece um raro vislumbre da vida cotidiana de uma das primeiras comunidades do cristianismo . As informações são do portal Mycharisma.
A descoberta foi feita no sítio arqueológico de Ain al-Sabil, no oásis de Dakhla, a cerca de 300 km a oeste de Luxor . A cidade, descrita pelas autoridades como um assentamento “completo” da era bizantina, inclui uma igreja basílica no centro, ruas principais orientadas de norte a sul e cruzamentos leste-oeste que formam praças e espaços abertos .
“No centro da cidade, ergue-se uma igreja basílica com vista para uma das principais ruas” — afirmou o diretor da escavação, Zahran Mahdi, à Fox News .
Artefatos revelam vida cotidiana e fé cristã
Além da igreja, os arqueólogos recuperaram uma variedade de artefatos que ajudam a compor o quadro da vida na cidade :
- Objetos domésticos do cotidiano dos habitantes
- Moedas bizantinas com símbolos cristãos
- Um arquivo de 200 ostraca — fragmentos de cerâmica inscritos — escritos em copta e grego
Os textos registram transações de vendas, correspondências e outros detalhes da vida diária dos moradores da cidade .
“Os textos registram transações de vendas, correspondências e outros detalhes da vida cotidiana” — explicou Zahran Mahdi.
Contexto histórico
A cidade remonta ao período em que o cristianismo estava se consolidando no Egito, após a legalização da fé pelo imperador Constantino no início do século IV (Edito de Milão, 313 d.C.) e sua posterior adoção como religião oficial do Império Romano sob Teodósio I (380 d.C.).
O assentamento cristão no oásis de Dakhla, no deserto ocidental do Egito, oferece evidências da expansão do cristianismo para áreas remotas do país — além das já conhecidas comunidades monásticas no deserto oriental e no Alto Egito.
A descoberta se soma a uma lista crescente de achados arqueológicos cristãos significativos no Egito, lançando nova luz sobre o crescimento e a organização da igreja primitiva durante o século IV.
Importância da descoberta
O achado é especialmente significativo por seu estado de preservação. Ao contrário de muitos sítios arqueológicos que sofreram destruição ou saques ao longo dos séculos, a cidade de Ain al-Sabil foi descrita como “completa” , com sua estrutura urbana e artefatos relativamente intactos.
A descoberta ocorre em um momento de crescente interesse arqueológico no Egito, que tem feito uma série de anúncios importantes nos últimos anos como parte de esforços para impulsionar o turismo e revelar mais sobre a rica história do país.