China prende ao menos 30 pastores da Igreja Zion e amplia repressão a igrejas não registradas

Pequim/Beihai — Autoridades chinesas detiveram pelo menos 30 pastores e líderes ligados à Igreja Zion, uma das maiores congregações cristãs evangélicas não registradas do país, em uma operação nacional iniciada na quinta-feira (9).

As prisões ocorreram em diferentes províncias — incluindo Pequim, Guangxi, Zhejiang e Shandong — e são apontadas como a mais ampla ofensiva contra igrejas independentes desde 2018, segundo Reuters, Associated Press e Wall Street Journal.

O fundador da Zion, o pastor Ezra (Jin) Mingri, foi preso em casa na cidade de Beihai (sul da China). Ele é investigado por “uso ilegal de redes de informação”, tipificação que, segundo a legislação local, pode render até sete anos de prisão. Relatos de familiares e porta-vozes do grupo confirmam a detenção e apontam que a repressão mira lideranças que mantêm atividades presenciais e difusão on-line de conteúdo religioso.

Porta-voz da igreja, Sean Long, afirmou que cerca de 150 fiéis foram interrogados nos últimos dias e que pelo menos 20 líderes seguem detidos. Ele descreveu a ação como parte de uma “nova onda de perseguição religiosa” em 2025. Relatos adicionais de rádios públicas ligadas à NPR reforçam que mais de 30 pastores e funcionários foram presos ou ficaram incomunicáveis desde quinta-feira.

A ofensiva ocorre no contexto das regras que restringem atividades religiosas on-line e integram a política de “sinicização” da fé, que pressiona congregações não vinculadas às entidades oficiais reconhecidas pelo Estado. Analistas veem endurecimento da fiscalização e tensões diplomáticas com os EUA após o episódio; jornais americanos relatam que o caso ganhou repercussão internacional.

No Brasil, a Gazeta do Povo repercutiu as informações de agências internacionais e destacou que as prisões se espalharam por diversas províncias, com a Zion figurando entre as maiores igrejas “de casas” do país.