“Chegou o momento”: rabino pede construção de sinagoga no Monte do Templo e acende alerta escatológico
O rabino-chefe de Tzfat, Shmuel Eliyahu, fez um apelo público ao governo israelense para que avance com a construção de uma sinagoga no Monte do Templo, em Jerusalém. A declaração ocorreu durante as comemorações do Dia de Jerusalém, em um discurso realizado diante da área considerada sagrada por judeus, cristãos e muçulmanos. O líder religioso pediu que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e os ministros do governo tratem o projeto como prioridade nacional.
“Durante séculos estivemos afastados deste lugar, mas a história do povo judeu permanece ligada ao Monte do Templo” — declarou Eliyahu.
O rabino também argumentou que, enquanto o templo não é reconstruído, deveria existir ao menos uma sinagoga funcionando na área. As declarações repercutiram amplamente na imprensa israelense e nas redes sociais, reacendendo discussões sobre soberania religiosa e acesso ao espaço.
A memória do rabino Mordechai Eliyahu
O discurso também relembrou o posicionamento do falecido rabino sefardita Mordechai Eliyahu, pai de Shmuel Eliyahu, que anos atrás teria apoiado a criação de uma área judaica de oração em setores permitidos pela Halachá, a lei religiosa judaica.
“Cabe às lideranças políticas assumirem essa responsabilidade” — afirmou o rabino. “Chegou o momento de estabelecer uma sinagoga no Monte do Templo.”
O tema, no entanto, é considerado extremamente sensível devido às implicações religiosas e diplomáticas envolvendo o local.
O histórico da proposta
Integrante de uma organização que apoia a proposta, Josh Wander afirmou que o debate sobre uma sinagoga no Monte do Templo não é recente. Segundo ele, líderes religiosos judeus defendem essa possibilidade desde 1967, após Israel assumir o controle da região.
“Uma sinagoga permitiria que judeus praticassem sua fé de maneira organizada e dentro dos limites estabelecidos pela lei judaica” — explicou Wander.
Ele acrescentou que o projeto poderia criar uma presença religiosa judaica contínua no local e ampliar práticas atualmente restritas, como orações coletivas, leitura pública da Torá e celebrações do Shabat.
A Lei de Proteção dos Lugares Sagrados
A discussão também trouxe novamente à tona a Lei de Proteção dos Lugares Sagrados, aprovada pelo Knesset em 1967, após a reunificação de Jerusalém sob controle israelense. A legislação garante acesso livre aos locais sagrados para todas as religiões e prevê punições para atos que impeçam a prática religiosa.
No entanto, grupos judaicos alegam que existem restrições severas para orações judaicas no Monte do Templo atualmente, incluindo limitações de horários. A construção de uma sinagoga, na visão dos defensores da proposta, seria uma forma de garantir maior liberdade de culto.
Implicações religiosas e diplomáticas
O Monte do Templo é considerado o local mais sagrado do judaísmo, pois abrigava o Primeiro e o Segundo Templos. Para os muçulmanos, é o Haram al-Sharif (Nobre Santuário), onde estão localizadas a Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha, o terceiro local mais sagrado do Islã.
Qualquer alteração no status quo do local tem potencial para provocar tensões regionais e internacionais. A proposta de construção de uma sinagoga já gerou reações em diversos setores da sociedade israelense e entre líderes muçulmanos, que veem a iniciativa como uma ameaça ao equilíbrio religioso do local.
O pedido do rabino soa como um alerta escatológico das profecias bíblicas neotestamentárias. Maranata!