Bastidores: dois “Martins” colocam CIADSETA e CONEMAD em disputa por vaga federal no Tocantins
As duas principais forças assembleianas do Tocantins caminham para medir força nas urnas em outubro. De um lado está o deputado federal Filipe Martins (PL-TO), pré-candidato à reeleição. Do outro, o médico e evangelista Henrique Martins, nome apoiado pela CIADSETA-TO para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
A disputa tem forte peso simbólico no meio evangélico. Filipe Martins é filho do pastor Amarildo Martins da Silva, presidente da CONEMAD-TO, ligada à Assembleia de Deus Nação Madureira.
Dr. Henrique Martins, por sua vez, é filho do pastor Paulo Martins Neto, presidente da CIADSETA-TO. Em abril, a Mesa Diretora da convenção anunciou apoio à pré-candidatura de Henrique ao cargo de deputado federal.
Nos bastidores, a pergunta já circula entre lideranças, pastores e articuladores políticos: quem terá mais força nas urnas dentro do segmento assembleiano?
Filipe chega à pré-campanha com a vantagem de já ter sido testado nas urnas. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, foi vereador de Palmas por dois mandatos. Em 2022, foi eleito deputado federal pelo PL obtendo mais de 35 mil votos e passou a integrar a bancada tocantinense em Brasília.
Henrique, por outro lado, entra no jogo como uma aposta nova da CIADSETA. Médico e evangelista, ele ainda não passou pelo teste das urnas. Ele conta com o apoio do deputado estadual Gipão, pré-candidato à reeleição.
A CIADSETA tem história antiga no Tocantins. A Assembleia Legislativa realizou, em 2023, sessão solene pelos 75 anos da instituição, reconhecendo a relevância da convenção no Estado. A entidade, segundo a instituição, possui 80 mil membros no Tocantins e está presente nos 139 municípios.
A CONEMAD, por sua vez, tem estrutura política mais familiarizada com campanhas eleitorais. Amarildo Martins já teve mandato federal e construiu uma rede de influência religiosa e política no Tocantins. A candidatura de Filipe representa a continuidade desse projeto.
A disputa entre os dois grupos deve movimentar templos, ministérios, campos e lideranças locais nos 139 municípios tocantinenses. Embora os dois nomes falem ao mesmo eleitorado evangélico, cada convenção terá o desafio de transformar apoio religioso em voto real.
Mas uma coisa já está clara nos bastidores: a eleição para deputado federal no Tocantins terá uma disputa interna de alto interesse no campo assembleiano. E ela colocará frente a frente dois sobrenomes fortes, duas convenções influentes e dois projetos que buscam ocupar o mesmo espaço de representação evangélica em Brasília.