Assembleias de Deus no Brasil: origens, organização e desenvolvimento

No dia 18 de junho de 2026, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Brasil completa 115 anos de fundação. O que começou como um pequeno grupo de menos de 20 pessoas, em Belém do Pará, tornou-se a maior denominação evangélica do país — e uma das mais influentes do mundo.

A trajetória da igreja está diretamente ligada aos grandes movimentos migratórios e à capacidade de se adaptar a diferentes realidades regionais, mantendo, ao mesmo tempo, uma identidade pentecostal comum.

A chegada dos missionários suecos

Tudo começou em junho de 1911, quando os missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren desembarcaram em Belém do Pará após viverem alguns anos nos Estados Unidos. De origem batista, eles haviam entrado em contato com o pentecostalismo em Chicago e decidiram iniciar uma obra missionária em solo brasileiro.

No início, integraram-se à Igreja Batista de Belém. No entanto, sua ênfase na doutrina pentecostal — especialmente no batismo no Espírito Santo e na cura divina — gerou conflitos com a liderança local. O resultado foi a saída de um pequeno grupo que deu origem à nova comunidade, inicialmente chamada de Missão da Fé Apostólica e mais tarde conhecida como Assembleia de Deus.

Expansão pelo Brasil

O crescimento da denominação está diretamente ligado aos fluxos migratórios do Brasil no século XX. Inicialmente, nordestinos que haviam trabalhado como seringueiros na Amazônia levaram a fé assembleiana de volta às suas cidades de origem.

Mais tarde, durante os processos de industrialização e urbanização, os migrantes que se deslocavam para as grandes metrópoles do Sudeste também levaram consigo a denominação, contribuindo para sua expansão por todo o território nacional.

Já na década de 1960, o pesquisador William Read observava que a presença da denominação no Brasil era “universal” , comparando-a, à época, à popularidade das máquinas de costura Singer e do guaraná.

Hoje, acredita-se ser muito difícil atravessar qualquer cidade brasileira sem encontrar ao menos uma Assembleia de Deus. Algumas se destacam por suas grandes construções; outras funcionam em pequenos templos ou salões improvisados — mas todas carregam a mesma herança histórica e espiritual.

A diversidade interna: uma característica singular

Ao contrário de funcionar como uma única instituição nacional, a Assembleia de Deus se organiza em vários grupos independentes, chamados de ministérios, cada um com seu próprio modo de funcionamento e liderança. Por isso, nos templos do país é comum encontrar o nome “Assembleia de Deus” seguido por uma identificação, como:

  • Ministério do Belém (matriz histórico)
  • Ministério de Madureira
  • Ministério de Perus
  • Ministério do Ipiranga
  • E muitos outros

Esses ministérios mantêm autonomia administrativa, mas compartilham a herança histórica e cultural da denominação.

Para o professor Maxwell Pinheiro Fajardo, doutor em História e docente da Faculdade Bíblica das Assembleias de Deus (FABAD), essa diversidade é a chave para entender o crescimento da igreja.

“A Assembleia de Deus é uma igreja que cresce à medida que vai se dividindo internamente”, afirma o pesquisador.

Os múltiplos ministérios representam as diferentes formas como, ao longo de sua história, a tradição assembleiana foi se adequando a diferentes espaços e localidades, dando origem a diferentes Assembleias de Deus. Cada ministério assumiu práticas e ênfases particulares, oferecendo diferentes formas de ser assembleiano — e contribuindo assim para a expansão da denominação.

Uma igreja brasileira

Embora tenha nascido da iniciativa de missionários suecos, a Assembleia de Deus rapidamente se tornou uma igreja genuinamente brasileira. Sua história se confunde com a história do próprio país: as migrações internas, a urbanização, as transformações sociais e culturais do século XX.

Hoje, aos 115 anos, a denominação não é apenas a maior expressão do pentecostalismo no Brasil, mas também uma das instituições religiosas mais respeitadas e influentes do país.

Com informações do artigo do Prof. Dr. Maxwell Pinheiro FajardoProfessor da Faculdade Bíblica das Assembleias de Deus – FABAD