Após fala de Elizeu, debate sobre crente ter arma para se defender divide pastores e fiéis

Uma declaração do pastor Elizeu Rodrigues reacendeu entre evangélicos o debate sobre cristãos possuírem armas para defesa pessoal e da família. Durante participação no Eu Acredito Podcast, o pastor afirmou que reagiria caso alguém invadisse sua residência para atacar sua esposa ou seus filhos. “Se tentar entrar na minha casa para meter a faca nos meus filhos, na minha esposa, leva bala”, declarou. Perguntado se o cristão deveria estar armado para se defender de criminosos ou extremistas religiosos, respondeu: “Claro, claro, claro”.

A declaração recebeu apoio do escritor e teólogo Carlos Vailatti, que se posicionou favoravelmente à possibilidade de o cristão possuir uma arma de maneira legalizada. Questionado se tinha arma em casa, respondeu: “Não tenho, mas não me oponho a quem tem (de forma legalizada, é claro)”. Em reflexão publicada pelo Portal Assembleianos de Valor, Vailatti argumentou que confiar em Deus não impede o cristão de adotar medidas de prevenção, lembrando que pessoas de fé trancam suas casas, usam cinto de segurança, procuram médicos, fazem seguros, evitam locais perigosos e chamam a polícia quando necessário.

Do outro lado do debate, o pastor Gilvan Rodrigues refutou a posição de Elizeu e afirmou não possuir armas em sua residência porque confia unicamente no poder do sangue de Jesus Cristo. Curiosamente, ao encontrar a publicação do Portal Assembleianos de Valor com o vídeo de Gilvan, o próprio Elizeu respondeu em tom respeitoso: “Quando um homem desse fala, eu me calo e só escuto. 👏”, mostrando deferência ao pastor mesmo diante da posição diferente.

A discussão também dividiu os internautas. Entre os que defenderam Elizeu, vários recorreram a Êxodo 22:2, passagem que trata da morte de um ladrão surpreendido durante um arrombamento. “Pastor Elizeu tá certinho” e “Só uma coisa a dizer: parabéns, pastor Elizeu” foram algumas das reações. Outro internauta comparou a posse de arma a outras medidas preventivas: “Se for seguir este raciocínio, ninguém deveria ter extintor de incêndio.”

Também houve críticas. Um comentário ironizou o argumento sobre confiar exclusivamente na proteção divina perguntando: “Davi orou e o gigante caiu, foi isso?”. Já outro internauta criticou a própria proporção alcançada pela controvérsia entre líderes: “Agora me diga, púlpito virou palco de refutar comentários de live?”. Entre apoio, críticas e argumentos bíblicos, a declaração de Elizeu acabou trazendo novamente ao meio evangélico uma antiga discussão: confiar na proteção de Deus é incompatível com utilizar meios humanos de defesa?