3.200 igrejas e 30 mil batismos: o avanço do evangelho na Amazônia que está transformando a região

Uma profunda transformação espiritual está se desenrolando na Amazônia brasileira. Durante séculos, a Igreja Católica deteve um quase monopólio na região, mas hoje o cristianismo evangélico está remodelando o tecido espiritual da região, atraindo novos convertidos e abrindo novas igrejas. A CBN News viajou até o noroeste da Amazônia brasileira para uma reportagem exclusiva sobre esse movimento.

“Nos primeiros seis meses deste ano, batizamos 14.500 pessoas. Nossa meta para este ano é batizar mais de 30.000 pessoas” — afirmou o pastor Josué Bengtson, da Igreja Quadrangular de Belém, em entrevista à emissora.

O crescimento evangélico na Amazônia

Abrangendo mais de 6 milhões de quilômetros quadrados da América do Sul, 60% da floresta amazônica está localizada no noroeste do Brasil. Os aproximadamente 30 milhões de amazônicos que vivem atualmente nessa região estão vivenciando um reavivamento evangélico sem precedentes.

O pastor Josué Bengtson passou décadas percorrendo a intrincada rede de rios da região, primeiro como missionário e depois como pastor, difundindo a mensagem evangélica da salvação. Ele ajudou a fundar uma das primeiras igrejas do movimento Quadrangular na Amazônia.

“Quando começamos a evangelizar nesta região, tínhamos apenas alguns obreiros e, em alguns municípios, os pastores precisavam caminhar de 10 a 15 quilômetros para abrir uma congregação. Hoje, quase todas as igrejas de médio porte na Amazônia têm um pequeno barco” — relatou Bengtson à CBN News.

Hoje, ele afirma que a presença evangélica aqui é inegável, com 3.200 congregações do movimento Quadrangular florescendo em toda a região.

A jornada dos missionários

O crescimento vai além dos números, alcançando o coração de muitos, como o missionário Esequiel Santo.

“Eu tinha 15 anos quando Deus me chamou para alcançar os povos não alcançados da Amazônia” — disse Santo à CBN News.

Ele compartilhou os desafios enfrentados para levar o evangelho a comunidades remotas:

“Sou do Rio de Janeiro e, como não tinha dinheiro para uma passagem de avião, precisei fazer uma viagem de ônibus de seis dias até Belém. De lá, peguei um barco por mais seis dias até chegar à periferia da bacia amazônica. Quando cheguei lá, levamos pelo menos 15 dias de canoa, não de barco a motor, para subir os rios Solimões e Purus até alcançarmos as comunidades remotas onde trabalhávamos. Às vezes, levávamos 35 dias só para chegar a essas áreas isoladas” — relatou.

Apesar das dificuldades, Santo afirma que o trabalho tem valido a pena:

“Mas Deus esteve conosco nessa obra, vimos vidas sendo transformadas, muitas pessoas ouviram o evangelho e agora estamos colhendo os frutos.”

O contraste com a Igreja Católica

O sociólogo brasileiro José Eustáquio Alves explica por que as igrejas evangélicas têm crescido tão rapidamente na região:

“A Igreja Católica tem muita dificuldade em formar novos padres, por isso é muito comum ver igrejas católicas na Amazônia, mas sem padres suficientes para liderar as congregações. Um padre vai à Amazônia uma vez por mês ou uma vez por semestre e muitas vezes fica longe da comunidade. Os evangélicos, por outro lado, formam pastores rapidamente, que se integram à comunidade e permanecem por um longo período.”

O testemunho de um ribeirinho

Ramos, de 83 anos, morador das margens do Rio Amazonas, personifica essa mudança espiritual. Criado na fé católica, ele se lembra de quando a religião dominava sua comunidade ribeirinha — mas não mais.

“Deus é tudo para mim. Deus é meu pai e sem Jesus eu não sou nada” — declarou Ramos.

Ele se recusa a trocar sua casa flutuante de bambu pela vida em qualquer cidade brasileira:

“É muito mais fresco aqui do que na cidade. Não dá para andar livremente na cidade. É muito perigoso, muitos carros, muita gente. Aqui eu sou livre.”

Com informações CBN News