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Opinião

Setembro Verde: Doar órgãos um ato de amor e solidariedade

O Brasil tem hoje o segundo maior sistema público de transplantes do mundo

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O Sistema Nacional de Transplante é o segundo maior do mundo e atual quase que em sua totalidade sob o custeio do Sistema Nacional de Saúde (SUS).

Conforme publicação no site da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) estimasse que até 100 pacientes por ano apresentem morte encefálica por ano a cada milhão de habitantes, o que os tornariam potenciais doadores de órgãos. Contudo, mesmo que se observa um crescimento na taxa efetiva de transplantes de órgãos, não é ainda capaz de suprir a demanda, visto que países desenvolvidos conseguem obter 20 a 40 doadores para cada milhão e outros países como Argentina e Chile alcançam taxas menores de 10 a 12 doadores a cada milhão de habitantes por ano¹.

No Brasil, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes, no período entre o mês de janeiro até junho de 2021 foram transplantados 3. 195 órgãos (coração, fígado, intestino, multivisceral, pâncreas, pulmão e rins), sendo desses 2.918 provenientes de pacientes falecidos. O registro de transplante de córneas foi de 5.599 órgãos.

Observa-se que o Brasil registra a taxa de 13,7 doadores efetivos por milhão de habitantes nesse mesmo período e durante o ano de 2020, a não efetivação da doação foi mais de 40% das entrevistas realizadas no Brasil.

Um dos pontos que dificultam a efetivação da doação está relacionada a intransponibilidade do luto familiar. A sensibilização aos familiares nessa situação é algo extremamente importante, pois enquanto uns enfrentam a dor da perda, outros tem que conviver diariamente com o medo e a incerteza na fila de transplante de órgãos. Trata-se de situações distintas, porém, de grande tristeza e difíceis de convivência. Mas, juntas e com um SIM, pode ter um final mais feliz e de esperança. Quando a família decide doar o órgão do ente que faleceu, ela traz vida nova e conforto para muitos.

Buscando melhorar a taxa de doadores o Ministério da Saúde promove campanhas públicas de conscientização, uma delas é denominada de “setembro verde”, que ocorre no referido mês, com intuito conscientizar e sensibilizar a população quanto a importância da doação de órgãos.

Em Araguaína, a execução dos trabalhos voltado a doação de órgãos é da CIHDOTT/ HRA (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante do Hospital Regional de Araguaína), que atua sob a coordenação do Médico Claudivan de Abreu e a Enfermeira Luna Maciel Baum.  Quanto a conscientização da importância de se declarar doador para os familiares a Enfermeira Luna destaca que: “o mais importante é a comunicação com os familiares sobre o desejo de doação de órgãos, porque uma das principais causas da não doação, é devido a negativa familiar, enquanto que mais de 43 mil brasileiros estão na fila precisam de transplante de órgão aguardando por um SIM da família de um doador em potencial. Como barreira, ainda tivemos o surgimento da pandemia de COVID 19. Por isso, é fundamental informar à família sobre o desejo de doar.

Ainda se ressalta que: “com a mudança da nossa legislação em 2001, para ser um doador de órgãos, não é necessário deixar algo escrito, quem dá a palavra final é a família, contudo tornou-se que as pessoas expressem aos seus familiares de forma clara o desejo de doação”.

O medo do desconhecido também é motivo decisão negativa dos familiares, mas é importante deixar claro que todo o processo segue protocolos científicos aprovados, portanto, quando atestado que o paciente está com morte cerebral, verifica-se através de exames a perda irreversível das funções cerebrais e vitais, como a perda da consciência e da capacidade de respirar sozinho, então se mantem o paciente com ajuda de suporte terapêutico. Após exames complementares, considerado o paciente um potencial doador de órgãos e tecidos, poderá ser doado o coração, pulmão, fígado, pâncreas, rins, córneas e outros, ou seja, um doador pode salvar mais de oito vidas.

“A legislação Brasileira é uma das mais rigorosas e seguras do mundo.  Exige que o diagnóstico de morte encefálica seja feito por dois médicos distintos e capacitados que não façam parte da equipe de captação/ transplantadora. São realizados dois testes clínicos, um teste de apneia e um exame complementar, que mostra ausência de atividade elétrica e fluxo sanguíneo”, ressalta Luna Baum.

Transplantes

O Brasil tem hoje o segundo maior sistema público de transplantes do mundo, no qual cerca de 96% dos procedimentos e cirurgias são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A central de transplante do estado é quem coordena a lista dos possíveis receptores, processo das notificações de morte encefálica enviada pelas CIHDOTT´s e articula a classificação dos possíveis receptores através do CTU (Cadastro Técnico único) / Lista Única.

Onde os órgãos doados irão atender primeiro as demandas regionais, se não houver receptor compatível a busca pelo possível receptor passa a ser nacional, notificando a central nacional de transplante, respeitando todos os critérios exigidos pela legislação.

Dia Nacional de Doação de Órgãos

No dia 27 de setembro é comemorado o dia do doador de órgãos, data instituída pela Lei nº 11.584/2.007.  Visando a conscientização e estimulação a sociedade sobre a importância da doação e ao mesmo tempo fazer com que as pessoas conversem com familiares e amigos sobre o assunto.

 

¹Campos HH. Aumento do número de transplantes e da doação de órgãos e tecidos: processo de construção coletiva [Internet]. São Paulo: Associação Brasileira de Transplante de Órgãos; 2001. [citado em: 2019 out 19]. Disponível em: http://ww.abto.org. br/profissionais/ biblioteca/textos_transplante1.htm.

 

²https://site.abto.org.br/publicacao/ano-24-numero-2/

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