Kleber Lucas: do altar à militância progressista

O cantor, pastor e compositor Kleber Lucas Costa — um dos nomes mais conhecidos da música gospel brasileira, com sucessos como “Oração da Manhã” e “Deus do Impossível” — acaba de alcançar um novo marco em sua trajetória acadêmica: tornou-se Doutor em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) .

A defesa da tese “O Mito de Cam: uma releitura crítica da subalternidade e expropriação nas narrativas abraâmicas” ocorreu no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ), sob orientação do Prof. Dr. André Chevitarese, e integra um projeto institucional voltado à ampliação da presença de intelectuais negros na pós-graduação brasileira .

Da fé à militância progressista

Nos últimos anos, Kleber Lucas tem se consolidado como uma das figuras mais emblemáticas do chamado “evangelicalismo progressista” — um movimento que busca conciliar a fé cristã com pautas sociais, políticas e culturais tradicionalmente associadas à esquerda.

O cantor nasceu em meio ao sincretismo religioso: sua avó seguia a fé evangélica e seu pai era adepto do candomblé . Essa experiência precoce com a diversidade religiosa parece ter moldado sua visão de mundo e sua atuação atual, que inclui:

  • Defesa intransigente da liberdade religiosa: Ao lado do Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos, líder do candomblé e ativista, Kleber Lucas diz que tem atuado no combate à intolerância religiosa no Brasil .
  • Participação em movimentos sociais: O pastor tem participado ativamente da Caminhada Contra Intolerância Religiosa no Rio de Janeiro e chegou a ajudar um terreiro que foi alvo de incêndio devido à intolerância religiosa .
  • Engajamento acadêmico com pautas identitárias: Sua tese de doutorado — uma releitura crítica do “Mito de Cam”, narrativa, segundo o autor, historicamente utilizada para justificar a subalternização de povos negros — é um exemplo claro de como sua produção intelectual se alinha às suas pautas progressistas .

A militância

A adesão de Kleber Lucas à militância progressista tem gerado debates no meio evangélico. O cantor, que já enfrentou críticas de setores mais conservadores, segue firme em seu posicionamento, usando a música, a teologia e agora a academia como instrumentos de sua posição.