Buscas por altcoins disparam com ETFs no radar e tesourarias indo além do Bitcoin

As pesquisas no Google por “altcoin” atingiram o patamar mais alto desde 2021 e o interesse por “Ethereum” voltou ao pico de dois anos. O acontecimento coincide com uma nova rodada de pedidos e emendas de ETFs de altcoins nos Estados Unidos.

E também com anúncios de empresas que passaram a incorporar ETH em iniciativas de tesouraria, fatores que reativam a curiosidade do varejo e moldam a liquidez global que chega ao Brasil via B3.

Interesse em alta: O que os dados do Google indicam

Em 2025, o Google Trends voltou a sinalizar que o varejo está pesquisando mais por “altcoin” e por “Ethereum”. Em termos práticos, esse indicador mede intensidade de buscas (0 a 100), o que ajuda a identificar janelas de atenção do público, não previsões de preço.

A leitura coincide com uma sequência de manchetes sobre ETFs de Solana e XRP no exterior e com o fortalecimento de narrativas de staking e utilidade do ETH. Para quem faz a primeira compra, cresce a exigência por processos de cadastro claros e taxas competitivas.

Na prática, avaliar a corretora de criptomoedas onde a negociação será feita é muito importante, desde questão de conformidade regulatória e métodos de depósito, até relatórios de transparência e alternativas listadas na B3 para quem prefere investir via bolsa.

No Brasil, a busca por exposição regulada às altcoins já encontra produtos na B3. O ETHE11 oferece exposição a Ether. O SOLH11 acompanha Solana; e, desde abril de 2025, o XRPH11 estreou na bolsa paulista como o primeiro ETF de XRP à vista do mundo, sob gestão da Hashdex e administração da Genial.

ETFs de altcoins nos EUA: Fila, emendas e efeito indireto no investidor brasileiro

O apetite institucional por alternativas além do Bitcoin acelerou em 2025. Em junho, diferentes proponentes de ETFs de Solana protocolaram novos pedidos e emendas na SEC. Um passo comum no rito regulatório, mas que sustenta a percepção de maturação da classe de ativos.

No caso de XRP, a CoinShares registrou na SEC um S-1 do “CoinShares XRP ETF”, formalizando a intenção de listar um veículo lastreado no ativo. Embora o processo norte-americano possa sofrer adiamentos, o simples avanço de dossiês pressiona a discussão sobre padronização de divulgação de riscos, custódia e formatação de listagem.

Ponto que a própria SEC abordou em orientação publicada em julho. Para o investidor brasileiro, o efeito indireto aparece via preço e liquidez globais. Quando a busca por exposição institucional lá fora cresce, os produtos locais podem ganhar volume e atenção. Na B3, além dos ETFs single-asset, há índices diversificados como o HASH11 e materiais educativos oficiais que detalham características, tributação e riscos desses veículos.

Tesourarias corporativas: ETH ganha espaço em casos pontuais

Enquanto o Bitcoin segue como reserva de valor dominante entre companhias listadas, 2025 trouxe anúncios que reforçam o papel do Ether em estratégias de tesouraria, especialmente pela possibilidade de staking e por narrativas de infraestrutura (DeFi, tokenização).

Em agosto, a BTCS Inc. comunicou um dividendo inédito distribuído em ETH, um experimento de “bividend” que liga remuneração ao ativo nativo da rede. O caso reacendeu o debate sobre governança, incentivos e aspectos tributários desse tipo de pagamento.

Além disso, empresas de capital aberto menores anunciaram mudanças profundas de política financeira, migrando parte relevante do caixa para Ethereum. Comunicados e coberturas recentes indicam movimentos de SharpLink Gaming, que passou a tratar o ETH como ativo principal de tesouraria e divulgou captações para aumentar posição.

E Bit Digital, que afirmou converter o caixa para ETH e construir um balanço on-chain com foco em staking. Esses anúncios têm impacto em preço das próprias ações e são acompanhados de alertas de risco por veículos como Reuters e portais de mercado.

A mensagem prática é que esse é um fenômeno ainda concentrado e sujeito a alta volatilidade. As iniciativas existem e ganharam manchetes em 2025, mas não significam, por si, uma migração estrutural da maioria das empresas; são, sim, sinais de que o ETH passou a disputar espaço fora do universo cripto-nativo.

O que já está acessível na B3 e quais são as regras em evolução

Para quem busca exposição regulada a altcoins localmente, a B3 já lista ETFs temáticos e de ativo único. As páginas oficiais ETHE11 e SOLH11 trazem informações de objetivo, metodologia de índice e documentos; e o XRPH11 estreou em abril como o primeiro ETF de XRP à vista do mundo, notícia confirmada tanto pela B3 quanto pela Hashdex.

O investidor encontra também comparadores e conteúdos educativos no hub Bora Investir. No arcabouço regulatório, a CVM publicou, em 18 de julho, o Ofício-Circular CVM/SIN 4/2025, com interpretações sobre ETFs, inclusive vedações para o gestor atuar como formador de mercado dos fundos que administra, preservando independência de funções.

O documento consolida entendimentos e responde a dúvidas recorrentes do setor. Na tributação, a Receita Federal abriu consulta pública em novembro de 2024 para a “DeCripto”, atualização da IN 1.888/2019 que disciplina a obrigação de informar operações com criptoativos.

Em 2025, a página oficial de criptoativos do governo segue atualizada com referências à IN 1.888 e orientações sobre “Declarar operações com criptoativos”, incluindo prazos mensais para envio das informações por pessoas físicas e jurídicas. O objetivo declarado é alinhar o Brasil ao modelo CARF/OCDE.