Bolsonaro e Tarcísio articulam candidatura de evangélico ao Senado por SP em 2026

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), têm discutido nos bastidores a possibilidade de lançar um nome ligado ao segmento evangélico para disputar a vaga ao Senado por São Paulo em 2026. A intenção é consolidar a base conservadora e fortalecer o apoio entre os evangélicos, grupo considerado estratégico nas urnas.

Entre os nomes que circulam nas articulações estão o do deputado federal Cezinha de Madureira (PL), ligado à Assembleia de Deus Ministério de Madureira, e o do pastor Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos e também deputado federal. Ambos têm histórico de atuação política em defesa dos valores conservadores e possuem forte influência entre as lideranças evangélicas.

Apesar do interesse político e da afinidade com a pauta de costumes defendida por Bolsonaro, a escolha enfrenta entraves. A principal dificuldade tem sido unificar o apoio das diferentes denominações evangélicas em torno de um único nome. Enquanto Cezinha é bem visto em setores da Assembleia de Deus, Marcos Pereira tem base sólida na Igreja Universal do Reino de Deus, o que pode gerar divisões dentro do segmento.

A disputa interna entre correntes religiosas tem gerado cautela. Parte das lideranças teme que uma candidatura sem consenso acirre rivalidades e enfraqueça a representatividade evangélica no cenário político. Além disso, cresce o movimento dentro das igrejas por uma postura mais institucional e menos partidária, especialmente após os desgastes provocados por alianças políticas nas eleições anteriores.

Tarcísio, que tenta equilibrar sua imagem de gestor técnico com o apoio do eleitorado conservador, avalia com cautela os desdobramentos da possível candidatura evangélica. Já Bolsonaro segue empenhado em manter o capital político que construiu junto ao segmento, considerado uma das principais bases de seu eleitorado fiel.

A definição sobre quem será o candidato ao Senado ainda deve se estender nos próximos meses, à medida que avançam as articulações e os testes de popularidade. O desafio será encontrar um nome que una as diferentes alas religiosas sem comprometer a força eleitoral do grupo.