40% dos pastores enfrentam solidão, aponta pesquisa; especialistas alertam para quem “cuida de todos, mas nem sempre é cuidado”

Livro organizado por Valdir Steuernagel e Daniel Guanaes apresenta caminhos para fortalecer o autocuidado e combater a solidão Foto: Katie Dobies/Getty Images Signature / Perfil Brasil

Mesmo cercados diariamente por pessoas, aconselhando famílias, pregando para congregações e acompanhando problemas de seus membros, muitos pastores enfrentam uma realidade silenciosa: a solidão. Dados do Barna Group apontam que dois em cada cinco pastores, o equivalente a 40%, dizem se sentir solitários.

O dado é dos Estados Unidos e não deve ser apresentado como estatística do pastorado brasileiro. Segundo a publicação, ainda não existe um mapeamento oficial equivalente da realidade entre líderes evangélicos no Brasil, embora o tema seja utilizado para levantar uma discussão sobre as pressões enfrentadas por quem exerce o ministério pastoral.

O assunto ganhou destaque com o lançamento do livro “Pastores pela Vida: Cuidando de quem cuida”, organizado pelos teólogos Valdir Steuernagel e Daniel Guanaes. A obra, publicada pela Editora Mundo Cristão em parceria com a Visão Mundial Brasil e assinada por 11 coautores, aborda autocuidado e saúde emocional entre lideranças cristãs.

Cercado de pessoas, mas sozinho

Daniel Guanaes, que também é pastor e psicólogo, chama atenção justamente para o aparente paradoxo vivido por muitos líderes.

“Pastores estão sempre cercados de pessoas: pregam em cultos cheios, aconselham casais em crise e orientam uma congregação inteira. Por mais paradoxal que pareça, uma das suas principais queixas é a solidão”, afirma.

A discussão envolve ainda problemas como ansiedade, depressão, esgotamento e burnout. A proposta apresentada pelo livro é questionar a ideia de que o pastor precisa suportar sozinho todas as responsabilidades da igreja.

Entre as orientações está cultivar amizades nas quais o pastor não precise ocupar permanentemente a posição de líder. Ter pessoas de confiança com quem possa demonstrar vulnerabilidade, sem a obrigação de aconselhar ou possuir todas as respostas, pode ajudar a diminuir o isolamento.

Pastor também precisa pedir ajuda

Outro problema abordado é a chamada “síndrome de Messias”: a percepção de que o líder precisa solucionar sozinho todos os problemas que chegam até ele. A obra recomenda procurar acompanhamento psicológico, aconselhamento ou apoio de outros líderes quando necessário.

A divisão de responsabilidades também aparece como ponto importante. Delegar tarefas e preparar novos líderes pode diminuir a sobrecarga e abrir espaço para que o pastor cuide da família, da saúde e da própria vida espiritual.

Descanso, lazer, oração, exercícios físicos e convivência familiar também são apresentados como necessidades, e não como sinais de falta de compromisso com o ministério. A mensagem central é simples: quem dedica a vida a cuidar de outras pessoas também precisa reconhecer quando necessita de cuidado.

Fonte: Perfil Brasil/Terra; Barna Group; livro Pastores pela Vida: Cuidando de quem cuida
Foto: Katie Dobies/Getty Images Signature/Reprodução

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