“Tudo ficou escuro e começou a tremer”: cristãos se mobilizam após terremotos devastadores na Venezuela

Primeiros socorros em um prédio que desabou na Venezuela, após os terremotos. / Foto: Venezolana de Televisión.

Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela na última quarta-feira (24 de junho) — os mais fortes que o país experimentou em mais de um século — desencadearam uma resposta de emergência por parte de organizações cristãs que atuam no país. As imagens que estão surgindo são “de partir o coração”, e a real extensão dos danos permanece desconhecida, embora muitas famílias já se encontrem em situação de extrema vulnerabilidade.

Os números oficiais, até a última sexta-feira (26) , apontavam para 589 mortes e cerca de 3.000 feridos. O governo venezuelano declarou estado de emergência e suspendeu as aulas e atividades não essenciais. Diversos países da América do Sul e do Norte estão enviando equipes de primeiros socorros.

Relatos de testemunhas: “Parecia interminável”

O impacto do terremoto foi sentido com particular intensidade em CaracasMaría Andreína Pernalete, diretora de comunicação da World Vision na Venezuela, vivenciou o terremoto junto com seu bebê de dois anos, sua mãe e seu marido no bairro de Sebucán, uma das áreas mais afetadas.

“Ficamos profundamente abalados e assustados” — relata ela.

Depois de se abrigarem debaixo de uma coluna enquanto as paredes do prédio eram danificadas, sua família teve que se mudar para um convento próximo, onde as freiras também estão acolhendo outras famílias desabrigadas.

Luis Colmenarez, especialista regional em Comunicação de Emergência da World Vision, estava em um cinema com suas irmãs mais novas quando o tremor começou:

“Tudo ficou escuro e começou a tremer. As pessoas começaram a correr, gritar e chorar. As crianças também gritavam de medo” — descreve ele.

O terremoto durou entre dois e três minutos. “Parecia interminável”, acrescentou. Colmenarez relatou do local que prédios desabaram e hospitais ficaram sobrecarregados, com pacientes sendo atendidos na rua.

World Vision prioriza crianças e necessidades básicas

World Vision mobilizou sua equipe de emergência para avaliar o impacto nas áreas onde atua, priorizando a situação das crianças, sua segurança e proteção, o acesso a abrigo seguro e água potável, e o apoio psicossocial.

Alianza Solidaria e GAiN se unem aos esforços

Alianza Solidaria, organização humanitária da Aliança Evangélica Espanhola (AEE), também lançou uma campanha de arrecadação de fundos para auxiliar os afetados.

A Venezuela é um país que a Alianza Solidaria conhece bem. Durante os anos mais difíceis do país, quando as restrições à entrada de ajuda humanitária impediram muitas organizações de operar normalmente, a organização manteve sua presença por meio de redes na Colômbia e de vínculos com igrejas no país, apoiando projetos de alimentação e assistência em cidades como Maracaibo e Caracas.

“Juntos podemos fornecer ajuda local que responda à urgência da situação e lhes dê esperança” — afirma Francisca Capa, presidente da Alianza Solidaria, em um apelo por apoio e orações pelas vítimas.

Global Aid International Network (GAiN) — especializada em resposta a desastres naturais — também está atuando. Embora a equipe esteja atualmente nas Filipinas, Pau Abad, diretor na Espanha, explicou:

“Na Venezuela, já estamos em contato com potenciais parceiros locais para unir forças. Queremos que nossa ajuda se concentre em atender às necessidades reais e que nossa participação faça a diferença na vida das pessoas que estamos ajudando.”

O primeiro passo, assim como fizeram nas Filipinas, é enviar uma equipe ao local para avaliar a situação real, enquanto já participam da distribuição inicial da ajuda.

A resposta da igreja e o chamado à solidariedade

A tragédia na Venezuela, que já enfrenta uma grave crise humanitária e econômica, sobrecarrega ainda mais a infraestrutura do país. A comunidade internacional já começa a se mobilizar para oferecer ajuda, e as organizações cristãs estão na linha de frente desse esforço.

O governo do Tocantins, por exemplo, manifestou solidariedade e disponibilizou equipes do Corpo de Bombeiros para auxiliar nas operações de resgate. O gesto se soma ao esforço global de cooperação humanitária.

Com evangelicalfocus

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