Primeira vitaliciedade ligada à CGADB no Brasil? Decisão no Pará sacode o meio assembleiano

Decisão da CIADSETA-PA em favor do pastor Possidônio Martins Reis pode representar o primeiro caso de vitaliciedade em uma convenção ligada à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil

A Convenção Interestadual dos Ministros das Igrejas Assembleias de Deus do SETA nos Estados do Pará — CIADSETA-PA— viveu, na última semana, um momento considerado histórico no meio assembleiano. Durante a 44ª Assembleia Geral Ordinária (AGO), realizada no Centro de Convenções em Redenção, no sul do Pará, a plenária aprovou, por unanimidade, a presidência permanente do pastor Possidônio Martins Reis, que está à frente da instituição desde dezembro de 2003.

A decisão chamou a atenção por um motivo especial: ao que tudo indica, trata-se da primeira convenção ligada à CGADB — Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil — a implantar, na prática, um sistema de vitaliciedade na presidência. Até então, o modelo era mais associado a convenções do Ministério de Madureira, como ocorre na CONAMAD, presidida pelo bispo Manoel Ferreira, e em convenções estaduais vinculadas ao mesmo segmento.

Em comunicado oficial, a CIADSETA-PA celebrou a decisão como um gesto de unidade e reconhecimento à liderança de Possidônio Martins Reis.

“Em um gesto de profunda unidade e reconhecimento, a plenária da 44ª AGO da CIADSETA/PA decidiu, por voto unânime, a posse permanente do nosso presidente, Pr. Possidônio Martins Reis. Este marco histórico reafirma a confiança do ministério em uma liderança que tem conduzido a nossa convenção com sabedoria, integridade e visão espiritual”, informou a convenção.

O que significa presidência permanente?

Na prática, a chamada “presidência permanente” significa que o atual presidente deixa de depender de eleições periódicas para renovar seu mandato à frente da convenção. O modelo é visto por seus defensores como uma forma de reconhecimento à trajetória, à estabilidade administrativa e à liderança espiritual exercida ao longo dos anos.

Por outro lado, a decisão também abre um debate importante dentro do universo assembleiano: será que a vitaliciedade pode se tornar uma tendência em outras convenções ligadas à CGADB no Brasil?

A pergunta surge porque a CGADB, historicamente, é composta por convenções regionais que, em regra, adotam processos eleitorais para escolha de suas mesas diretoras. A implantação de uma presidência permanente em uma convenção vinculada à entidade nacional pode representar uma mudança significativa de cultura administrativa e eclesiástica.

Liderança há mais de duas décadas

O pastor Possidônio Martins Reis assumiu a presidência da CIADSETA-PA/MT em dezembro de 2003. Desde então, consolidou sua liderança em uma das regiões mais estratégicas para o crescimento das Assembleias de Deus no Norte do país.

Sob seu comando, a convenção ampliou sua atuação, fortaleceu campos eclesiásticos, organizou áreas de supervisão e consolidou uma base expressiva de ministros convencionais. Sua permanência no cargo por mais de duas décadas fez dele uma das lideranças mais longevas do segmento assembleiano ligado ao SETA.

A CGADB reconhece oficialmente a CIADSETA-PA em sua relação de convenções, tendo Possidônio Martins Reis como presidente e Joás Possidônio Alves Martins Reis como 1º vice-presidente.

Modelo inspirado no padrão Madureira?

Embora a decisão da CIADSETA-PA tenha ocorrido em uma convenção ligada à CGADB, o modelo de presidência vitalícia já é conhecido em outra vertente assembleiana: o Ministério de Madureira.

Na CONAMAD, o bispo Manoel Ferreira é frequentemente citado como exemplo de liderança permanente. Em estados como o Tocantins, a CONEMAD-TO também adota modelo semelhante, com presidência vitalícia em sua estrutura de comando.

Agora, com a decisão da CIADSETA-PA surge a dúvida se o modelo pode ganhar força também em convenções vinculadas à CGADB.

Declarações contra eleições em convenções

A decisão também ocorre após declarações públicas do pastor Possidônio Martins Reis em 2024, quando ele afirmou ser contrário a disputas eleitorais internas em convenções. Na ocasião, o líder religioso classificou eleições convencionais como prejudiciais à unidade ministerial e defendeu modelos de condução mais estáveis.

A fala repercutiu no meio assembleiano porque tocou em um tema sensível: a disputa pelo comando de convenções religiosas. Para líderes favoráveis à estabilidade, eleições podem gerar divisões internas. Para defensores da alternância, o voto periódico é uma forma de preservar participação, equilíbrio e renovação institucional.

Uma onda pode tomar conta de outras convenções?

Ainda é cedo para afirmar que a vitaliciedade será adotada por outras convenções ligadas à CGADB. No entanto, a decisão da CIADSETA-PA cria um precedente político-eclesiástico relevante.

Caso outras convenções passem a enxergar o modelo como alternativa para evitar disputas internas, preservar lideranças históricas e garantir continuidade administrativa, a presidência permanente poderá entrar no radar de debates em outras regiões do país.

Por outro lado, a adoção desse formato também pode enfrentar resistência entre ministros que defendem eleições periódicas, renovação de quadros e maior participação da membresia convencional na escolha de seus dirigentes.

O fato é que a decisão tomada em Redenção, no Pará, ultrapassa os limites da CIADSETA-PA. Ela coloca em discussão um tema que pode repercutir em todo o sistema convencional assembleiano brasileiro: até que ponto a estabilidade de uma liderança deve prevalecer sobre a alternância no comando?

Com a presidência permanente concedida ao pastor Possidônio Martins Reis, a CIADSETA-PA entra para a história como uma das primeiras convenções do campo ligado à CGADB a adotar um modelo de vitaliciedade presidencial — e inaugura uma discussão que pode ganhar força nos próximos anos.

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