Um vídeo publicado pelo canal do Centro Apologético Cristão de Pesquisa (CACP) acendeu um alerta no meio evangélico, especialmente entre as igrejas que utilizam o material da Editora CPAD. O presidente da organização, Pr. João Flávio Martínez, denunciou o que chamou de “gafe gravíssima” na revista do professor do 1º trimestre de 2026, intitulada “A Santíssima Trindade”.
De acordo com o pastor, a denúncia partiu de um professor da Escola Bíblica Dominical (EBD) que percebeu um problema na Lição 12, que aborda “O Filho e o Espírito Santo”. O ponto central da polêmica está em um trecho de um subsídio teológico na página 87 da revista do professor.
No vídeo, Martínez exibe um trecho do material que cita o teólogo James D. G. Dunn. O texto afirma: “James Dunn argumenta que Jesus foi adotado como Filho de Deus no seu batismo. Por isso, para Dunn, o significado de Lucas 3:22 é a iniciação de Jesus na filiação divina.”
Para o apologeta, a citação, da forma como foi apresentada, expõe uma doutrina herética, conhecida como adocionismo (ou adotianismo). “Gente, isso aqui é uma heresia”, afirmou o pastor no vídeo. Ele relembrou que essa visão teológica surgiu nos primeiros séculos do cristianismo, defendida por figuras como Teódoto de Bizâncio e Paulo de Samósata, e foi rejeitada pela igreja primitiva por negar a divindade eterna de Cristo.
Gafe de revisão
O próprio Martínez reconheceu que, provavelmente, houve um erro de edição. Ele especula que o texto original da revista — que pertence a uma coleção de teologia sistemática de perspectiva pentecostal — tinha a intenção de citar Dunn para em seguida refutá-lo. No entanto, o corte feito no material didático teria deixado apenas a parte que apresenta a tese considerada heterodoxa, sem a devida contestação.
“Quem fez o corte, quem montou a revista aqui do professor, colocou aqui um subsídio pela metade e acabou trazendo confusão a quem ministra as aulas”, lamentou Martínez.
A reação dos professores e alunos
Nos comentários do vídeo, a repercussão foi dividida entre críticas à editora e ponderações sobre o papel do professor.
Um internauta destacou que se trata de um erro de diagramação: “Perfeito, fizeram o recorte errado. Na mesma página o livro já refuta essa visão.” Outro professor de EBD relatou que já havia identificado o problema em sala de aula: “Eu sou professor da EBD e vi esse erro, pesquisei sobre o autor mencionado e expliquei para a classe de alunos.”
Houve também quem defendesse a CPAD, argumentando que o material oferece ferramentas para que o professor maduro possa contra-argumentar. Um comentário dizia: “É uma ferramenta que a CPAD disponibiliza para o próprio professor (maduro, capaz) contra argumentar, pesquisar. Não é uma opinião do comentarista.”
As críticas contaram ainda com um tom bem-humorado de um usuário que associou a confusão editorial a uma crítica comum no meio: “Paulo Freire ataca na CPAD kkk”, em referência à alegação de que métodos educacionais modernos estariam influenciando a produção teológica.
A CPAD ainda não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido, mas o vídeo do CACP segue repercutindo, alertando para a necessidade de cuidado na produção de material didático que serve de base doutrinária para milhões de pentecostais.