A pastora Helena Raquel, líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV) no Rio de Janeiro, foi a convidada do podcast POD_i, apresentado pela jornalista Andréia Sadi e exibido no YouTube da GloboNews na última segunda-feira (27). Durante a conversa, a pastora abordou a relação entre igreja e política, tema que gerou interpretações equivocadas sobre seu posicionamento após sua pregação contra a violência doméstica viralizar com mais de 11 milhões de visualizações.
“A igreja não é bolsonarista. A igreja não é lulista. A igreja não é chavista. A igreja é de Jesus. A igreja no Brasil ora pelos governos. Voto eu dou para quem eu quero. Agora, joelho dobrado é pela nação.”
Helena Raquel afirmou que, como cidadã, já declarou voto publicamente em eleições municipais e que isso não a impede de manter a igreja como um espaço apartidário:
“O que é diferente de eu assumir o púlpito e dizer: ‘Nesta igreja vocês têm que votar no fulano’.”
“Minha mensagem foi usada politicamente, mas isso não é sobre mim”
A pastora explicou que parte das críticas que recebeu após sua pregação contra a violência doméstica veio do “incômodo político” gerado por sua fala, que foi usada por diferentes lados do espectro político:
“Na medida em que a mensagem que eu entreguei acabou sendo usada politicamente por A ou B, há um desconforto. Mas se alguém capturou maliciosamente para dar isso um viés político, isso não é sobre mim. Eu estava ali como pastora, como mãe, como esposa, como serva de Deus.”
Ela também criticou a tentativa de alguns políticos de manipular a igreja em períodos eleitorais:
“É muito comum em períodos eleitorais o mesmo político passar pela Umbanda, pelo catolicismo, pela igreja evangélica. Até aí saudável, é a cara do Brasil. Mas quando ele usa isso de forma manipuladora, o legítimo pastor de ovelhas tem por obrigação afugentar o lobo e jamais acolhê-lo.”
“Pare de orar por ele”: a mensagem que confrontou a igreja e o silêncio
Helena Raquel viralizou ao afirmar que “pedófilo não é ungido” e que mulheres em relacionamentos abusivos devem “parar de orar pelo agressor e começar a orar por si mesmas” :
“Para de orar por ele hoje e comece a orar por você a partir de agora. Você precisa ter coragem para sair e fazer a denúncia em uma delegacia. Não acredite no pedido de desculpas, porque quem agride mata. Saia daí.”
Ela explicou que os alertas em sua pregação — como “abusador não é ungido” — fazem parte de um conjunto de experiências acumuladas ao longo de décadas de ministério:
“A questão em si da mensagem foi uma direção espiritual. Eu tive um direcionamento de Deus para isso. Os alertas fazem parte de um conjunto de experiências que a gente tem uma vida inteira.”
Machismo, acobertamento e o papel da mulher na igreja
Ao ser questionada sobre o acobertamento de abusos dentro das igrejas, Helena Raquel foi direta:
“Se eu disser que não há nenhum tipo de acobertamento, eu estaria retirando as coisas que eu disse ali. Nós, pastores bíblicos, saudáveis, que amamos a Deus e a sua palavra, olhamos e dizemos: ‘Ué, mas isso está acontecendo?’ E a maioria que milita de forma digna contra isso sabe que há uma resistência em alguns setores.”
Ela também falou sobre o machismo estrutural no meio evangélico e o papel da mulher na liderança da igreja, tema central de seu livro “Eleitas” :
“Tem machismo sim. Ao mesmo tempo que isso tem diminuído, as pessoas ganharam voz nas redes sociais, e a gente tem quase a impressão que triplicou, mas não triplicou, apenas ganhou voz. O conhecimento profundo das Escrituras vai destronando o machismo.”