MPTO recomenda concurso público em Aliança do Tocantins após quase dez anos sem certame; prefeitura tem 90 dias para agir

Ministério Público do Tocantins (MPTO) expediu uma recomendação ao prefeito de Aliança do Tocantins, município localizado na região Sul do Estado, sugerindo a adoção de providências para a realização de um concurso público. O documento foi emitido após a instituição constatar que a prefeitura está há quase dez anos sem realizar um certame para provimento de cargos efetivos.

A investigação teve início a partir de uma representação anônima enviada pela Ouvidoria e foi conduzida pela 8ª Promotoria de Justiça de Gurupi.

O que diz a recomendação

No documento, o promotor de Justiça André Henrique Oliveira Leite orienta que o município adote três blocos principais de medidas em seu planejamento administrativo:

1. Providências para o edital (prazo: 90 dias)

A prefeitura deve promover, no prazo máximo de 90 dias, todas as providências administrativas e legislativas necessárias para a publicação do edital do concurso público voltado aos cargos efetivos que se encontram vagos.

Isso inclui:

  • Conclusão prévia do levantamento técnico de pessoal
  • Atualização das leis dos cargos públicos
  • Seleção de uma banca organizadora idônea mediante processo legal de contratação
  • Garantia de dotação orçamentária suficiente para realizar o certame e custear a futura folha de pagamento

2. Cronograma detalhado (prazo: 30 dias)

O município deve encaminhar ao MPTO, no prazo de 30 dias, um cronograma detalhado de todo o processo do concurso, contendo:

  • Datas previstas para a publicação do edital
  • Identificação ou andamento da contratação da banca
  • Prazos para inscrições, aplicação de provas, divulgação de resultados e homologação final
  • Quantidade de vagas ofertadas para cada cargo

3. Fim das contratações temporárias irregulares

A administração municipal deve se abster de realizar novas contratações temporárias para funções de natureza permanente, a menos que haja fundamentação legal específica que demonstre excepcional interesse público.

O cenário atual

O promotor apontou que o último concurso do Poder Executivo municipal ocorreu em agosto de 2016 — há quase uma década. Além disso, os relatórios enviados pela própria prefeitura comprovaram a existência de contratos temporários com renovações sucessivas desde os anos de 2017, 2018 e 2019.

Conforme consta na peça, a prática de manter renovações sucessivas para funções de caráter contínuo e estável “configura burla ao princípio constitucional do concurso público” .

Entre os cargos que vêm sendo ocupados por contratados temporários estão:

  • Professor
  • Auxiliar de serviços gerais
  • Psicólogo
  • Motorista da educação

Promessa não cumprida

A gestão municipal havia informado anteriormente ao MPTO que realizaria o certame ainda no primeiro semestre de 2026, abrindo fase de estudos técnicos e atualização de leis. No entanto, o órgão considerou que o prazo está se encerrando sem que nenhum cronograma concreto ou edital tenha sido publicado.

Consequências do descumprimento

Por se tratar de uma recomendação jurídica, o documento funciona como uma orientação e um aviso prévio. O gestor municipal não é obrigado por força de lei a cumprir os termos imediatamente. Contudo, o documento estipula o prazo de 10 dias para que a prefeitura informe oficialmente se acatará ou não as orientações.

O descumprimento dos pontos recomendados poderá levar o Ministério Público a adotar medidas judiciais, como:

  • Ajuizamento de Ação Civil Pública com pedido de liminar para obrigar o município a realizar o concurso
  • Responsabilização do gestor por improbidade administrativa

Serviço

ItemInformação
MunicípioAliança do Tocantins
RegiãoSul do Tocantins
Último concursoAgosto de 2016
Prazo para cronograma30 dias
Prazo para edital90 dias
Prazo para resposta10 dias

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