Irã anuncia novo fechamento do Estreito de Hormuz e aumenta tensão com EUA e Israel

A Guarda Revolucionária do Irã e o comando militar do país anunciaram, neste sábado (20), o fechamento do Estreito de Hormuz ao tráfego de embarcações. A medida foi apresentada pelas autoridades iranianas como resposta a supostas violações do acordo de cessar-fogo firmado com os Estados Unidos e Israel.

Em comunicado, a Guarda Revolucionária orientou que embarcações evitem a rota marítima sob risco de comprometerem sua segurança. O Irã afirmou que a decisão representa uma reação às ações de Israel no Líbano e ao que classificou como descumprimento de compromissos assumidos no acordo mediado com participação norte-americana.

A nova escalada ocorre após ataques israelenses no sul do Líbano, que deixaram ao menos 20 mortos poucas horas depois do anúncio de um cessar-fogo entre Israel e Hezbollah. As autoridades iranianas apontaram os bombardeios como um dos estopins para a nova medida no Estreito de Hormuz.

Apesar do anúncio iraniano, o governo dos Estados Unidos contestou a versão de Teerã. O Comando Central norte-americano informou que monitora a região e afirmou que o estreito permanece aberto, com tráfego marítimo ainda em andamento. Washington também declarou que trabalha para garantir a liberdade de navegação na área.

O Estreito de Hormuz é uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo. A rota liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico, sendo essencial para o escoamento de petróleo e gás natural de países como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos.

Dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos apontam que, em 2024, cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia passaram pelo Estreito de Hormuz, volume equivalente a aproximadamente 20% do consumo mundial de líquidos de petróleo. A região também é importante para o transporte de gás natural liquefeito, especialmente do Catar.

A ameaça de bloqueio preocupa o mercado internacional porque qualquer interrupção prolongada pode afetar o preço do petróleo, o transporte marítimo e a segurança energética global. Analistas avaliam que a situação pode pressionar os preços da commodity nos próximos dias, especialmente se houver confirmação de restrição efetiva à navegação.

O episódio aprofunda a crise no Oriente Médio e coloca em risco os esforços diplomáticos para manter o cessar-fogo e avançar nas negociações entre Irã, Estados Unidos e aliados regionais.

Até o momento, há divergência entre a declaração iraniana e a posição norte-americana sobre a situação real do tráfego no Estreito de Hormuz.

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