O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou, nesta quinta-feira (11 de junho de 2026) , uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) . O documento alega que Lula, durante um discurso em 2 de junho, incentivou seus apoiadores a matar o senador por enforcamento.
A fala em questão ocorreu em meio a críticas de Lula à proposta do governo dos Estados Unidos de sobretaxar produtos brasileiros em 25%. O presidente atribuiu a responsabilidade pela medida à família Bolsonaro, mencionando que Flávio se reuniu com o presidente Donald Trump (Partido Republicano) em 26 de maio.
A fala de Lula
Durante o discurso, Lula afirmou:
“Por menos, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado.”
Em seguida, questionou a plateia:
“O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem.”
A fala continha um erro histórico: na realidade, quem foi executado foi Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, em 1792. Joaquim Silvério dos Reis foi o delator — e não o enforcado.
O argumento da defesa de Flávio
No documento protocolado no STF, a equipe jurídica do senador argumenta que Lula não apenas cometeu um erro histórico, mas incitou seus apoiadores à violência:
“A pergunta por ele [Lula] formulada é retórica, justamente porque já traz embutida a resposta que deseja semear: o senador Flávio Bolsonaro deve ser morto por sua (inexistente) ‘traição’.”
A defesa afirma que o presidente incitou seus apoiadores a cometer homicídio contra Flávio ao associar o senador à figura de um “traidor” e evocar o enforcamento como punição.
O contexto político
A fala de Lula ocorreu em um momento de forte tensão política. Dias antes, Flávio Bolsonaro havia se encontrado com Donald Trump nos Estados Unidos — um gesto interpretado por aliados de Lula como uma tentativa de aproximação do senador com o governo americano para influenciar negociações comerciais desfavoráveis ao Brasil.
A proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros foi anunciada pelo governo Trump pouco depois da reunião, o que gerou críticas de Lula e de sua base aliada.