O dízimo é um dos temas mais polêmicos no meio cristão — e frequentemente evitado por pastores que temem gerar confusão ou alimentar críticas sobre o uso dos recursos. Mas um artigo publicado pela Primeira Igreja Presbiteriana de Mairiporã (SP) , de autoria do Rev. Weinne Santos, defende que a prática é obrigatória para o cristão e não uma invenção da igreja, mas uma ordem estabelecida por Deus.
O texto, publicado em julho de 2024, argumenta que o dízimo transcende a questão financeira e é, antes de tudo, um tema espiritual de grande relevância.
O dízimo no Antigo Testamento
O artigo explica que a palavra hebraica para dízimo, “maser” , significa literalmente “a décima parte de um todo”. No Antigo Testamento, o dízimo era uma parte dos produtos da terra entregue a Deus como ato de adoração.
A primeira menção bíblica ocorre em Gênesis 14.20, quando Abraão entrega o dízimo a Melquisedeque — uma prática que antecede a lei mosaica, refutando a ideia de que o dízimo é exclusivamente parte da lei cerimonial, abolida com o Novo Testamento.
“Hebreus 7.1-3 reforça a superioridade do sacerdócio de Melquisedeque, que prefigura o sacerdócio eterno de Cristo. Portanto, ao dar o dízimo a Melquisedeque, Abraão o entregou a Cristo” — destaca o artigo.
A segunda menção está em Gênesis 28.22, quando Jacó promete dar a Deus o dízimo de tudo que Ele lhe conceder, como ato de gratidão e reconhecimento da provisão divina.
A lei mosaica detalha a prática em diversas passagens, como Levítico 27.30-34, Números 18.21-32 e Deuteronômio 12.1-14. O dízimo era destinado ao sustento dos levitas e sacerdotes e deveria ser entregue no templo. A história de Israel mostra que a restauração dos dízimos era parte das reformas espirituais em épocas de avivamento, como nos reinados de Ezequias e Neemias.
O dízimo no Novo Testamento
O artigo reconhece que o Novo Testamento faz poucas menções diretas ao dízimo, mas argumenta que isso não implica sua abolição. Jesus criticou os fariseus não por dizimar, mas por negligenciar a justiça e o amor de Deus enquanto praticavam o dízimo (Lucas 11.42). A parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18.9-14) ressalta que o problema não é o dízimo, mas o orgulho ao praticá-lo.
“Hebreus 7.5 reafirma que o dízimo transcende a lei mosaica” — aponta o texto.
O artigo também cita passagens que sugerem a necessidade de uma contribuição regular para o sustento dos ministros do evangelho: 1 Coríntios 9.13-14, 1 Timóteo 5.17 e 2 Coríntios 8.3. A prática de uma contribuição proporcional nas igrejas primitivas sugere que o dízimo de 10% pode servir como referência.
A prática na história da igreja
O artigo destaca que a prática do dízimo continuou na igreja primitiva e na patrística. A Didaquê, um manual de discipulado da igreja primitiva, orientava a oferta das primícias aos profetas ou aos pobres. Pais da igreja como Crisóstomo, Jerônimo e Agostinho também defendiam o dízimo.
Como praticar hoje
O autor enumera as justificativas comuns contra o dízimo — como a percepção de que ele pertence à lei cerimonial, a falta de recursos financeiros ou a má administração dos recursos pela igreja — e responde a cada uma:
- O dízimo é anterior à lei cerimonial e permanece relevante no Novo Testamento
- O dízimo deve ser a primícia, separada antes de qualquer outra despesa (Provérbios 3.9), confiando que Deus suprirá as necessidades
- O dízimo deve ser entregue fielmente à igreja local, conforme ordenado por Deus, e não de acordo com a percepção individual sobre a administração dos recursos
“Cada um prestará contas diante de Deus pelo seu papel” — conclui o artigo.