O pastor Karl Dietz, fundador da Igreja no Cinema em Curitiba voltou a causar polêmica ao afirmar, em uma entrevista no EuAcredito Podcast que cristãos não podem ser pobres e que a pobreza é um sinal de “falta de entendimento” ou de “nós” espirituais que precisam ser desfeitos.
Em um diálogo com o apresentador, Dietz foi enfático:
“Olha, desconfie de um crente pobre. Desconfie. Ele tá falando alguma coisa bem errada.”
Quando questionado se um crente não poderia ser pobre, o pastor respondeu:
“Não. Ele tem que ser próspero.”
A declaração, que já acumula milhares de visualizações e reações nas redes sociais, reacendeu o debate sobre a teologia da prosperidade e a interpretação de passagens bíblicas como João 10.10: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.”
“Pobreza é para ímpio”
Durante a conversa, Dietz associou a pobreza a uma condição própria de quem está fora da fé:
“Pobreza é para ímpio, não para crente. É para homem sem espírito, sem discernimento.”
Ele comparou a vida espiritual a uma mangueira com nós:
“Se a torneira tá aberta e não sai água no fundo da mangueira, tem algum nó nessa mangueira aí… Teu evangelho tem alguns nós. E com nó não sai água.”
O pastor afirmou ainda que já disse isso ao próprio pai: “Pai, se a torneira tá aberta e não sai água no fundo da mangueira, tem algum nó nessa mangueira aí.”
O que diz a Bíblia?
A fala de Karl Dietz levanta uma questão teológica central: a prosperidade material é uma promessa universal para todos os cristãos?
A Bíblia apresenta exemplos de homens e mulheres de fé que viveram na pobreza. O próprio apóstolo Paulo afirmou: “Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter abundância. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação” (Filipenses 4.12). Tiago, por sua vez, exorta os cristãos a não fazerem acepção de pessoas, tratando ricos e pobres com igualdade (Tiago 2.1-5).
O livro de Provérbios também traz um equilíbrio: “Não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me o pão que me for necessário” (Provérbios 30.8).
A teologia da prosperidade, da qual a fala de Dietz é um exemplo radical, tem sido criticada por teólogos de diversas tradições por reduzir o evangelho a uma promessa de bem-estar material e por desconsiderar o chamado bíblico à cruz e ao serviço.
Reações e críticas
Nas redes sociais, a fala de Karl Dietz gerou reações imediatas. Enquanto alguns apoiaram a posição do pastor, muitos cristãos criticaram a associação entre pobreza e “falta de entendimento”.
Um usuário comentou: “Então os cristãos perseguidos na África, na China e no Oriente Médio, que vivem na pobreza extrema, não têm entendimento?”
Outro destacou: “Paulo passou fome, foi preso e viveu com pouco. Ele era um ‘crente pobre’? A Bíblia não ensina isso.”
Há também quem defenda que a fala de Dietz foi tirada de contexto ou que ele estava se referindo à “pobreza espiritual” — embora a transcrição do diálogo indique claramente uma referência à miséria material.
O contexto de Karl Dietz
Karl Dietz é pastor da Igreja no Cinema, uma comunidade que realiza cultos em salas de cinema em Curitiba. Ele também é fundador da Academia Líder e tem se destacado por suas posições polêmicas sobre liderança, finanças e espiritualidade.
Em outras ocasiões, Dietz já havia causado controvérsia ao afirmar que pastores que tomam remédio controlado não estão aptos ao ministério — declaração que foi duramente criticada por lideranças como Geremias Couto, Emerson Brum e Caio Fábio.