“Culto a Moloque”?: Escócia registra recorde histórico de abortos, maior número já contabilizado

Uma rua em Edimburgo, Escócia. / Foto: Joss Broward , Unsplash CC0.

A Escócia registrou em 2025 o maior número de abortos de sua história. Dados divulgados pelo Serviço de Saúde Pública Escocês mostram que 18.783 procedimentos de interrupção da gravidez foram realizados no período, estabelecendo um novo recorde nacional.

Segundo as estatísticas oficiais, houve um aumento de 55% na procura por serviços de aborto desde 2016. As autoridades escocesas informaram que a taxa permaneceu semelhante à observada no ano anterior, alcançando 17,6 abortos para cada mil mulheres entre 15 e 44 anos.

Os dados revelam que o crescimento foi mais expressivo entre mulheres de 35 a 39 anos e também na faixa de 40 a 44 anos, ambas registrando as maiores taxas já observadas nesses grupos etários.

Outro dado que chamou atenção foi o fato de que 60,8% dos abortos realizados em 2025 ocorreram por meio de medicamentos. Além disso, mais de 40% das mulheres atendidas relataram já ter realizado pelo menos um aborto anteriormente.

O relatório também apontou que 209 abortos aconteceram após 18 semanas de gestação. Já os chamados abortos seletivos por deficiência chegaram a 277 casos, representando um aumento de 61% em comparação com 2018.

Reação de líderes cristãos e pró-vida

O crescimento dos números provocou forte reação entre líderes cristãos e organizações pró-vida no Reino Unido.

Sharon James, analista de políticas sociais do Instituto Cristão, afirmou que cada aborto representa “a perda da vida de um bebê” e pediu que a sociedade volte a trabalhar para que o aborto seja considerado algo impensável.

John Deighan, diretor executivo da Sociedade para a Proteção das Crianças Não Nascidas (SPUC), classificou os números como um dos problemas mais graves enfrentados atualmente pela Escócia. Ele criticou especialmente os abortos relacionados a deficiências e questionou se essa prática pode ser considerada compatível com uma sociedade verdadeiramente inclusiva.

Também se manifestou o presidente da Conferência Episcopal Católica da Escócia, John Keenan. Segundo ele, por trás de cada estatística existe uma vida humana única e uma mãe enfrentando circunstâncias difíceis. O líder religioso defendeu a construção de uma sociedade que acolha e proteja toda vida humana.

Debate sobre ampliação da legislação

Os números surgem em meio a discussões sobre possíveis mudanças na legislação escocesa relacionada ao aborto.

Um grupo de especialistas que revisa a lei defendeu a possibilidade de ampliar as permissões para interrupção da gravidez após 24 semanas por razões sociais. O grupo também propôs o fortalecimento das chamadas “zonas de amortecimento” ao redor de clínicas e hospitais que realizam abortos.

Desde 2024, a Escócia possui uma legislação que prevê multas de até 10 mil libras para pessoas que realizarem atividades pró-vida em um raio inferior a 200 metros de clínicas e hospitais onde são realizados abortos.

Um debate que ultrapassa números

Para muitos grupos cristãos, o recorde histórico de abortos levanta preocupações morais, sociais e espirituais sobre a valorização da vida humana. Enquanto defensores do aborto argumentam em favor dos direitos reprodutivos, organizações pró-vida afirmam que o aumento contínuo dos procedimentos demonstra a necessidade de ampliar o apoio às gestantes e às famílias em situação de vulnerabilidade.

O tema continua sendo um dos mais debatidos na Europa e deve permanecer no centro das discussões políticas e religiosas nos próximos anos.

Culto a Moloque

Diante do recorde histórico de abortos, muitos cristãos enxergam um preocupante paralelo com o antigo culto a Moloque, condenado severamente por Deus nas Escrituras. Na antiguidade, crianças eram oferecidas em sacrifício a essa divindade pagã; hoje, argumentam líderes pró-vida, milhões de vidas são interrompidas ainda no ventre materno sob justificativas sociais, econômicas ou pessoais. Embora em contextos distintos, a comparação tem sido utilizada para denunciar uma banalização da vida humana e um afastamento dos princípios bíblicos que reconhecem o valor e a dignidade de cada ser humano desde a concepção.

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