“Adventista é uma seita?”: apologetas se enfrentam em debate público sobre posição teológica da IASD

O que começou como um desentendimento entre dois apologetas se transformou em um debate público sobre a classificação teológica da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD). O pastor e apologeta adventista Leandro Quadros e o pastor e apologeta Sézar Cavalcante protagonizaram uma troca de vídeos em que discutem se o adventismo deve ou não ser considerado uma seita — e se os adventistas reconhecem ou não cristãos de outras denominações como irmãos em Cristo.

A discussão ganhou um novo capítulo com a entrada do pastor João Flávio Martínez, presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisa (CACP) , que gravou um vídeo defendendo o legado do falecido apologeta Natanael Rinaldi.

Leandro Quadros: “Eu o considero um irmão em Cristo”

Em um vídeo intitulado “Minha resposta ao Pr. Sezar Cavalcante” , Leandro Quadros explicou os motivos de sua ausência em debates — incluindo seu diagnóstico de autismo e TDAH — e rebateu a acusação de que adventistas não reconhecem outros cristãos como irmãos .

“Eu lhe considero, pastor, um irmão em Cristo. Você e todo irmão evangélico que crê no Senhor Jesus Cristo e o aceita como Salvador, que crê na sua divindade absoluta, todo irmão evangélico que crê na doutrina bíblica da trindade, na doutrina do juízo, na volta de Jesus, é meu irmão em Cristo”.

Quadros afirmou que, embora existam “adventistas fanáticos” que não chamam outros de irmãos, essas exceções “não são a regra” [fact 1, 2:07–2:16]. Ele também respondeu ao questionamento de Cavalcante sobre sua ausência em debates, revelando que foi diagnosticado com autismo moderado e TDAH e que isso tem atrapalhado sua participação.

“Eu tenho essas estereotipias, esses tiques. Esses tiques têm me atrapalhado muito nos debates. Eu acabei me ausentando de debates por causa disso”.

Sezar Cavalcante: “Teoria é uma coisa, prática é outra”

Em resposta, Cavalcante gravou o vídeo “Minha resposta ao pastor Leandro Quadros da Igreja Adventista do Sétimo Dia” . Ele agradeceu a deferência de Quadros, mas argumentou que “o adventismo não nos tem como irmãos” na prática.

“Quando eu ouço você dizendo que não, você é meu irmão, eu te considero irmão, não sei o que lá, eu entendo, mas é que isso é proforma, né, pastor? Porque eu não serei nunca convidado para ir lá na sua igreja para compartilhar, cantar um louvor ou orar ou participar ou pregar”.

Cavalcante citou o livro “Estudando Juntos” , produzido pela IASD, que ensina como evangelizar membros de outras denominações, como Assembleia de Deus e batistas.

“Então, quando você evangeliza essas pessoas, é porque você não as considera irmãos. Se você evangeliza o assembleiano, é porque você não considera ele como irmão”.

Ele também abordou a questão do bode Azazel, mencionada por Quadros, afirmando que, mesmo com a explicação de que o termo “expiação” ali se refere a “responsabilização”, a teologia adventista ainda apresenta problemas.

João Flávio Martínez: defesa de Natanael Rinaldi

O pastor João Flávio Martínez, do CACP, entrou na discussão afirmando que a escola apologética do pastor Natanael Rinaldi foi citada diretamente e que ele se sentiu na obrigação de defender seu legado.

“Diante disso, eu me sinto na obrigação de defendê-lo, já que desde 2016 o nosso querido pastor foi promovido à glória eterna”.

Martínez acusou Leandro Quadros de mentir ao dizer que adventistas reconhecem outros cristãos como irmãos.

“Leandro Quadros sabe que isso é mentira. Todos os ex-adventistas que viveram lá por décadas sabem que você tá mentindo”.

Ele também defendeu o estilo apologético de Rinaldi, que foi chamado de “chato” por Cavalcante em outro programa.

“O pastor Natanael Rinaldi, sem sombra de dúvida, era um gentleman educado, cordial… Ele deixava claro que membro de seita é uma pessoa que precisa de graça salvadora porque está perdido”

O tema em pauta

O debate expõe uma tensão mais ampla: para os defensores da “escola Rinaldi”, a Igreja Adventista é uma seita porque nega doutrinas centrais do cristianismo histórico, como a imortalidade da alma e o juízo final imediato. Para os adventistas como Quadros, no entanto, essas diferenças não impedem o reconhecimento de outros cristãos como irmãos em Cristo — desde que creiam na divindade de Jesus e na Trindade.

Cavalcante, por sua vez, reconheceu a educação de Quadros, mas afirmou que “a Igreja Adventista não reconhece isso na prática” . Martínez foi mais duro: segundo ele, a apologética “com amor” deve confrontar o erro, mesmo que isso pareça ríspido.

Assista aos vídeos:

DEIXE SEU COMENTÁRIO

VEJA MAIS NO JM