Fim dos tempos: Israel é pressionado pela Rússia para dividir Jerusalém com palestinos

Russia quer que Israel aceite dividir território com Palestinos

Da Redação do JM Notícia

Russia quer que Israel aceite dividir território com Palestinos

Uma decisão inesperada e sem precedentes foi tomada pela Rússia nessa quinta-feira, 6. Moscou anunciou o reconhecimento de Jerusalém ocidental como capital de Israel. Sendo assim, pela primeira vez na história moderna ocorre esse tipo de reconhecimento. Desde o plano de divisão de 1948, Jerusalém, com todos os seus locais sagrados, era considerada uma “cidade internacional”.

A prefeitura de Jerusalém comemora os 50 anos da reunificação, conquistada em 10 de junho de 1967, após uma vitória militar contra a invasão de três exércitos inimigos: Egito, Síria e Jordânia.

Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda fala sobre o deslocamento da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém, a decisão da Rússia é anunciada, pegando todos de surpresa. Não está claro o que motivou nem se outros países em sua esfera de influência seguirão o exemplo.

Jerusalém oriental é sugerida como futura Capital do Estado Palestino

Porém, a decisão russa também acena para seus aliados islâmicos, reconhecendo ao mesmo tempo Jerusalém Oriental como a capital da Palestina.

“Reafirmamos nosso compromisso com os princípios aprovados pela ONU para um acordo palestino-israelense, que incluem o status de Jerusalém Oriental como a capital do futuro Estado palestino. Ao mesmo tempo, devemos afirmar que, neste contexto, vemos Jerusalém Ocidental como a capital de Israel “, afirmou o Ministério de Relações Exteriores da Rússia em comunicado.

O governo de Israel evitou comentar o anúncio. “Estamos estudando o assunto”, disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Emmanuel Nahshon. Não se sabe ainda se o governo israelense aceitará de bom grado o reconhecimento de apenas parte de Jerusalém como sua capital.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conversou ao telefone com o presidente Vladimir Putin, mas o reconhecimento de Moscou de Jerusalém Ocidental como capital não foi mencionado.

Uma transcrição da conversa fornecida pelo escritório de Netanyahu mostra que os dois líderes discutiram o ataque terrorista em São Petersburgo, bem como o ataque da Síria contra civis usando armas químicas.

O que parece especialmente problemático para Israel é a referência aos “princípios aprovados pela ONU para um acordo palestino-israelense”. Provavelmente, essa é a razão do ceticismo em Jerusalém, já que todas as decisões vinculantes da ONU, mais recentemente a Resolução 2334 do Conselho de Segurança, apelam para o estabelecimento de um Estado palestino nas linhas anteriores a 1967, tendo Jerusalém Oriental como sua capital.

“Moscou está profundamente preocupado com a situação no conflito palestino-israelense. Palestina e Israel não fizeram negociações políticas nos últimos três anos e a situação na região tem se deteriorado”, diz o comunicado do ministério russo.

“O bloqueio do processo de paz no Oriente Médio criou condições para movimentos unilaterais que minam o potencial de uma solução para o problema palestino aceito internacionalmente, onde os dois estados – Israel e Palestina – poderiam viver em paz e segurança uns com os outros e com seus vizinhos “.

A declaração reforça o apoio da Rússia a uma solução de dois Estados, descrita como uma “opção ideal onde todos os parâmetros concretos de uma solução para toda a gama de questões relativas ao estatuto dos territórios palestinianos, incluindo Jerusalém, devem ser coordenados nas conversas diretas entre as partes envolvidas”, conclui o documento russo.

Chama atenção o fato da postura russa ser anunciada uma semana após a Liga Árabe, com apoio da ONU, ter oferecido uma reconciliação histórica com Israel. A condição para a paz é que o estado judeu retire-se das terras que reconquistou na guerra de 1967. Na prática, isso significaria dividir Jerusalém e sair dos assentamentos na Judeia e Samaria. Com informações de Times of Israel

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