Após lamento de Leonardo Gonçalves, Kleber Lucas e mais pastores ‘choram’ agendas canceladas por apoio à esquerda

O cantor Leonardo Gonçalves, um dos nomes mais expressivos da música cristã brasileira nas últimas duas décadas, abriu o coração sobre os motivos que o levaram a deixar o meio gospel e se mudar para a Alemanha, onde hoje atua como professor de música e inglês. Em entrevista ao jornalista Rodolfo Capler, ele relembrou o período em que viu sua agenda de shows desaparecer e explicou por que acredita que isso aconteceu.

“Inviabilizou-se a minha continuidade de trabalho. Os convites não aconteceram mais” — afirmou o cantor, que iniciou sua carreira solo em 2000 e assinou contrato com a Sony Music em 2010.

O ponto de virada, segundo Leonardo, ocorreu em 2022, após ele se posicionar publicamente contra o que chamou de “instrumentalização da fé” para fins políticos e contra o uso do Legislativo para avançar uma “agenda religiosa” . O cantor, que em 2022 apoiou a esquerda, afirmou que sua fala foi decisiva para o fim de sua carreira como artista gospel no Brasil . Em dezembro de 2023, veio um convite inesperado para ser professor de música e inglês em uma escola na Alemanha. Hoje, ele vive em Darmstadt, onde leciona música e inglês .

O diagnóstico se repete: agendas canceladas entre pastores progressistas

O lamento de Leonardo Gonçalves não é isolado. O diagnóstico se repete na fala de outros pastores que tinham trânsito livre no evangelicalismo brasileiro: anos de prestígio seguidos por uma perda abrupta de espaço. O isolamento aumentava na medida em que passaram a defender posições identificadas como progressistas .

Kléber Lucas, cujos hinos como “Deus Cuida de Mim” e “Aos Pés da Cruz” se tornaram incontornáveis na virada do século, relatou que recebia cerca de quatro convites por semana para cantar em templos de todo tipo — históricos, pentecostais e neopentecostais. “Tive a oportunidade de estar em praticamente todas as igrejas” , afirmou. Agora, Kléber quase nunca é acionado .

Ed René Kivitz, líder da Igreja Batista de Água Branca, também viu sua agenda esvaziar. Segundo o relato, o afastamento foi parcelado: primeiro por criticar a transformação de igrejas em empreendimentos religiosos; depois, o incômodo com a redução do cristianismo à chamada pauta de costumes. A ruptura definitiva veio com sua oposição ao bolsonarismo. “Houve tempo em que eu recebia convites diariamente” , disse Kivitz. Esse tempo passou .

Sérgio Dusilek, pastor que deixou a presidência da Convenção Batista Carioca sob pressão após discursar em evento evangélico da campanha de Lula, afirmou ter sofrido um “bloqueio institucional” dentro da entidade batista . Em 2022, chamou Bolsonaro de “presidente nefasto” e disse que “a igreja evangélica tem que pedir perdão ao presidente Lula” . Ele relata que perdeu espaço dentro da estrutura denominacional, mas ganhou audiência fora dela — “se antes falava para 300 pessoas sentadas em uma assembleia convencional, hoje atinjo muito mais” .

“Cancelamento foi tão radical que perdi amigos”

Ricardo Gondim, líder da Igreja Betesda, compara o ambiente ao macarthismo — campanha de perseguição ideológica que marcou os Estados Unidos nos anos 1950 . Ele afirma que, ao questionar algumas “vacas sagradas” da teologia sistemática, recebeu o rótulo de herege. “O cancelamento foi tão radical que perdi amigos” , disse Gondim .

O pastor Alexandre Gonçalves, da Igreja de Deus no Brasil, conta que perdeu tudo a partir de 2018, quando declarou que não endossaria Jair Bolsonaro. “A partir dali perdi tudo” , afirmou. Colegas de pastoreio o chamavam de “pastor comunista e petista, sendo que eu nunca fui nenhum dos dois” .

O pastor Felipe Gibran também se recusou a aderir ao bolsonarismo num momento em que tantas igrejas tratavam a eleição como teste de fidelidade espiritual . O resultado foi o esvaziamento de sua igreja: “A igreja foi toda embora, 11 famílias a abandonaram, e o pastor lá ficou sozinho”.

Com informações Folha via ICL

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