Com quase 9 anos, CADB segue estagnada e pode perder novos aliados

Convenção criada por Samuel Câmara após rompimento com a CGADB não conseguiu se consolidar como força nacional de oposição

A Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB) chega perto de completar nove anos sem repetir o fôlego que marcou sua fundação. Criada em 2 de dezembro de 2017, em Belém do Pará, a entidade nasceu sob a liderança do pastor Samuel Câmara e prometia ser uma alternativa à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB).

O movimento começou com força. À época, Samuel Câmara anunciou a filiação de mais de 10 mil pastores à nova convenção. Em menos de três meses, a CADB já dizia contar com oito convenções filiadas, entre elas grupos do Espírito Santo e do Maranhão.

Quase nove anos depois, o quadro é outro. A CADB não conseguiu avançar de forma consistente pelo País e perdeu espaço político dentro do campo assembleiano. Segundo fontes do JM, aliados convencionais no Espírito Santo e no Maranhão podem aderir à CGADB em breve.

A eventual saída teria peso simbólico. Os dois Estados estavam entre os primeiros citados no ciclo de expansão da CADB. Uma debandada agora reforçaria a leitura de que o projeto perdeu força e não conseguiu manter a base que ajudou a formar a nova convenção.

Samuel Câmara deixou a CGADB após divergências com o grupo ligado à família Bezerra da Costa. Antes do rompimento, ele disputou a presidência da entidade e enfrentou uma sequência de embates eleitorais e judiciais. O desligamento foi protocolado em 2017, depois de 33 anos de filiação.

A saída abriu caminho para a criação da CADB. O novo projeto tentou se apresentar como resposta à falta de alternância no comando da CGADB. Mas a oposição que orbitava em torno de Samuel Câmara não conseguiu manter unidade nacional nem construir uma disputa capaz de ameaçar o grupo dominante.

Na outra ponta, a CGADB seguiu sem oposição relevante. O pastor José Wellington Costa Junior foi reconduzido à presidência para o quadriênio 2025-2029, sem enfrentar adversários, segundo registros publicados após a 47ª Assembleia Geral Ordinária. A página oficial da CGADB também mostra Wellington Junior como presidente da Mesa Diretora 2025/2029.

Nos bastidores, a avaliação é que a CADB ficou restrita a núcleos regionais e não conseguiu virar uma convenção com presença nacional forte. A possível adesão de antigos aliados à CGADB indicaria mais que uma troca de sigla. Mostraria o enfraquecimento de um projeto que nasceu para reorganizar a oposição assembleiana no Brasil.

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