Com Convenções e Igrejas declarando apoio político, teólogo alerta para riscos da prática

Pastor José Gonçalves, respeitado escritor assembleiano. Foto: Arquivo pessoal

Em meio ao avanço da pré-campanha eleitoral de 2026 , cresce o número de convenções e igrejas que têm lançado pré-candidatos ou declarado apoio oficial a nomes do legislativo e executivo — como já noticiado pelo JM Notícia em casos recentes que você pode conferir no portal.

Diante desse cenário, o pastor e teólogo José Gonçalves, conhecido comentarista das Lições Bíblicas da CPAD, publicou um alerta contundente em suas redes sociais. Sob o título “Um membro da igreja pode ter preferência política; a igreja, não” , ele listou cinco argumentos para que as instituições eclesiásticas não se vinculem oficialmente a partidos ou candidatos.

Igrejas como palanque?

Nos últimos meses, diversas denominações e convenções têm protagonizado movimentos políticos explícitos:

  • CIEADEP (Assembleias de Deus do Paraná) oficializou apoio à pré-candidatura da cantora Mara Lima (deputada estadual) e do pastor Carlos Eduardo (deputado federal), com nota oficial ameaçando punir membros que apoiassem outros nomes.
  • Igreja Esperança, em Goiás, definiu mapa político para 2026, apoiando candidatos a estadual, federal, governo de Goiás e até à Presidência da República.

Esses e outros casos têm gerado debates sobre os limites entre a fé e a política institucional, especialmente quando a liderança eclesiástica se coloca como representante de toda a comunidade de fiéis.

O que diz o pastor José Gonçalves

Em seu post, o comentarista da CPAD argumenta que, enquanto membros individuais têm todo o direito de ter preferências partidárias, a igreja como instituição não deve adotar posição oficial. Ele elenca cinco razões:

1. A igreja pertence a Cristo, não a partidos

“A identidade da Igreja está fundamentada em Jesus Cristo e no Reino de Deus, não em ideologias, candidatos ou legendas partidárias. Quando a Igreja se identifica oficialmente com um partido, corre o risco de substituir sua missão espiritual por uma agenda política.”

Ele cita João 18.36“O meu reino não é deste mundo”.

2. A igreja é composta por pessoas com diferentes convicções políticas

“Dentro da mesma congregação podem existir cristãos que compartilham a mesma fé, mas possuem visões políticas distintas. Ao adotar uma posição partidária oficial, a Igreja pode criar divisões desnecessárias entre irmãos que deveriam estar unidos em Cristo.”

Cita Efésios 4.4“Há um só corpo e um só Espírito”.

3. O Evangelho transcende direita e esquerda

“Nenhuma ideologia humana representa plenamente os valores do Reino de Deus. A Igreja deve avaliar todas as correntes políticas à luz das Escrituras, apoiando o que é justo e denunciando o que é contrário à Palavra, independentemente de qual grupo político esteja envolvido.”

4. A missão da igreja é espiritual e redentora

“A principal tarefa da Igreja é pregar o Evangelho, fazer discípulos e glorificar a Deus. Quando a política partidária ocupa o centro da vida eclesiástica, a proclamação da mensagem de Cristo pode ser ofuscada por disputas temporais.”

Cita Marcos 16.15“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho”.

5. A igreja deve manter sua liberdade profética

“Uma Igreja vinculada a um partido tende a perder a independência para denunciar erros e pecados de seus aliados políticos. A neutralidade partidária permite que a Igreja exerça sua voz profética com liberdade, elogiando o que é correto e condenando o que é injusto, venha de quem vier.”

Ele lembra que os profetas bíblicos confrontaram reis e governantes sem se tornarem instrumentos de qualquer grupo político.

E você, qual a sua opinião?

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